OS IRMÃOS MORAVIANOS

(PARTE II)

Os dois jovens moravianos e os esquimós

É certo que durante o envio de missionários a partir de Herrnhut, houve histórias interessantes, emocionantes e tristes. Muitos pagaram um alto preço pela causa do evangelho, e com certeza em meio às lutas, ainda assim, se alegraram em poder servir ao Reino.

Mas uma história ficou muito conhecida que marcou profundamente os irmãos moravianos e por conseguinte, a nós também, mesmo depois de tantos anos.

Dois jovens moravianos, aproximadamente de 20 anos de idade, ouviram falar de uma ilha no Leste da Índia, onde três mil africanos trabalhavam como escravos cujo dono era um ateu britânico. O coração daqueles jovens entristeceu-se profundamente só em pensar que aqueles escravos jamais ouviriam falar do nome de Jesus e, consequentemente, morreriam sem a salvação. Imediatamente, os jovens entraram em contato com o dono da ilha perguntando se poderiam ir para lá como missionários, no qual houve uma resposta negativa: “Nenhum pregador e nenhum clérigo chegaria a essa ilha para falar sobre essa coisa sem sentido.” Ainda assim, continuaram orando e fizeram uma nova proposta: “E se fôssemos a sua ilha como seus escravos para sempre?”, o homem concordou, mas já deixou claro que não pagaria nem mesmo o transporte deles. Então os jovens usaram o valor que receberam da venda deles próprios para custearem a viagem.

No dia da partida estavam todos no porto para se despedirem dos irmãos moravianos que ficariam para trás, o choro de todos era intenso pois, provavelmente, nunca se veriam novamente. Quando o navio tomou certa distância, os jovens se abraçaram e gritaram a frase que pôde ser ouvida pelos que ficaram:

“QUE O CORDEIRO QUE FOI IMOLADO RECEBA A RECOMPENSA DO SEU SOFRIMENTO.”

Quem eram esses jovens? Qual a profissão que exerciam? Tinham famílias? Realmente nunca mais voltaram para o seio dos seus irmãos? Como foi a vida deles naquele lugar? Quantas almas foram salvas?

Difícil saber. Foram pessoas que viviam a margem da sociedade, pois o preconceito com os refugiados era imenso, muitos ali não possuía estudo, nunca viajaram além do mar. As profissões que exerciam eram as menos valorizadas naquela época: coveiros, lavradores, pequenos comerciantes, artesãos etc., mas uma coisa era certa: eram conhecidos de Deus, possuíam a sabedoria mais sublime e importante, que era a sabedoria vinda dos céus; eles incomodavam o inferno.

Não muito tempo depois, o conde Zinzendorf viu-se desafiado a enviar um missionário para alcançar os esquimós no Alasca, que é uma das regiões mais isoladas do planeta. Uma noite, o conde sonhou que o Senhor Jesus o instruía a enviar o oleiro da região da vila, um homem muito simples que, aparentemente, não demonstrava nenhuma liderança para um movimento de missões. Mas Deus usa aquele que é apaixonado pela obra, que está disposto a levar a mensagem do evangelho.

Obedecendo a mensagem que recebera de Jesus, o conde procurou o oleiro e narrou o sonho que teve e perguntou se estaria disposto a realizar essa empreitada missionária. E se aceitasse, deveria saber que: não havia ali nenhum missionário que poderia acompanhá-lo; não poderia contar com nenhum sustento (a não ser as orações) pois os recursos financeiros haviam acabado; e finalmente, talvez nem voltasse, pois era um grande desafio a ser alcançado.

Aquele homem orou naquele mesmo momento por dois minutos e, por fim, olhou para o conde e falou: “Se o senhor conseguir me dá um par de sandálias usadas, amanhã cedo partirei.”  A história não conta esse detalhe, mas é de se imaginar que o pobre homem estava descalço; o conde lhe deu as sandálias e no dia seguinte foi até a casa do oleiro mas, ao chegar não o encontrou, pois ele já tinha partido bem cedo e para nunca mais voltar.

Hoje 50% dos esquimós da terra são convertidos ao Senhor Jesus graças a um homem, que nem sequer sabemos o nome, que nem tinha um par de sandálias, mas que obedeceu a um chamado.

Os feitos desses jovens, do oleiro e dos demais moravianos ecoaram pelo céu e deixaram um legado para nós, cristãos deste século, e para os posteriores também.

Cada vez que leio essa história (e já foram muitas, acredite) as lágrimas são inevitáveis. O meu coração chora porque sei o quão falha sou e peço a Deus misericórdia, que me sacuda espiritualmente não só a mim, mas a essa geração para um avivamento não com shows, com atos proféticos inúteis…o verdadeiro avivamento desperta para o arrependimento e leitura da Palavra.


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Um barco antigo em alto mar.

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