NÃO ESPERE DE DEUS O QUE ELE NÃO PROMETEU

O que realmente Deus prometeu?

É muito comum ouvirmos sermões ou lermos em vários textos promessas que não condizem com a palavra de Deus. É o famoso “evangelho com açúcar” tão em voga na cosmovisão cristã atualmente, não raro, vemos pastores “coaches” nos púlpitos das igrejas. Quem nunca ouviu as famosas frases? “essa noite é a noite da tua vitória!”, “Determine a tua benção!”, “até no final do ano terá um carro novo!”, “se acreditar, vai acontecer!” etc. O antropocentrismo domina nessas linguagens.

São movimentos que se estenderam pelas igrejas e com sucesso. Sim, a palavra infelizmente é essa, para muitos, a igreja só é boa se tiver sucesso na quantidade de membros, se estes possuem tudo o que desejam e se as ofertas e dízimos tiverem uma quantia significativa.

É a famosa teologia da prosperidade que nasceu no Neopentecostalismo.

Mas como surgiu tal movimento?

A origem se deu através de um homem chamado Essek Willian Kenyon (1867-1948). Depois da conversão, Kenyon se envolveu com movimentos metafísicos.

“É um ramo do conhecimento ligado a filosofia, e que busca uma compreensão da essência das coisas, daquilo que fazem as coisas serem como são.”

 Ele também deixou-se influenciar por Mary Baker Eddy, fundadora da herética Ciência Cristã.

Ciência Cristã: é uma mescla de filosofia, sistema de cura e de religião. Nega a existência da matéria, do sofrimento da enfermidade, do pecado e de todo o mal; para essa religião, são ideias errôneas, pois na verdade tudo é perfeito.

Kenyon é considerado o pai da expressão “o que eu confesso, eu possuo”, o que é nada mais que o embrião da confissão positiva.

Ele teve um discípulo que se chamava Kenneth Hagin que divulgou os pensamentos de Kenyon.

Muitos, atualmente, acreditam que as origens da Teologia da Prosperidade estavam em Hagin (1917-2003). Pois foi o responsável de divulgar um amplo material escrito por ele que influenciou a muitos até nos dias de hoje. Quando criança e adolescente, ele foi acometido por diversas doenças e vivenciou uma cura miraculosa, o que o levou a divulgar a sua filosofia de vida a muitos cristãos: ele acreditava que para se chegar a ter vitória, era necessário seguir alguns passos importantes como crer, declarar a fé e agir como se já tivesse recebido alguma benção.

Todas as experiências pessoais que ele diz ter tido, foram transformadas em livros, folhetos e acabaram se transformando em regras de fé por todos os que o ouviram. É importante salientar que tais experiências carecem de suporte bíblico, como por exemplo, viagens até o inferno para provar a existência do lugar.

O movimento no Brasil

Muitos nomes internacionais são conhecidos no Brasil e os ensinamentos por eles enunciados. Nomes como Kenneth Copeland, Benny Hinn, Frederick Price, Mike Murdok influenciam muitos líderes brasileiros e estes, transmitem o conhecimento aos fiéis. Também existem nomes de líderes brasileiros que fazem parte deste movimento, que propagam sofismas e enganos como Edir Macedo, René Terranova, R.R. Soares e tantos outros.

A fé transformada em mercado

Deus está falando que a benção será triplicada, O seu salário vai se multiplicar por três. Quando você receber seu salário ainda terá do antigo para gastar. É tempo de fartura. É tempo de Deus. Todos os moradores da terra receberão a notícia de que é tempo de restituição.”

ENGEL, Joel. A Festa do Jubileu, 3ªed. Ministério Engel. Sobradinho, RS: 2004. p.77

Muitas pessoas acreditam que Jesus Cristo foi muito ‘pobrezinho’ mas a verdade é que Jesus foi a pessoa mais próspera que já pisou sobre a face da Terra. (…) Ele andava montado num burro, que era o ‘cadilac’ da época.” 

NETTO, Cristiano. O Melhor Vencedor do Mundo, 5ª ed. Ed. e Distr. Provisão e Vida. Curitiba, PR: 2003. p. 90

“Você estará colhendo de acordo com a espécie que você mesmo determinar. Lembre-se: Se você plantar carro, vai nascer carro! Se você plantar emprego, nascerá emprego! Se você plantar uma casa própria, nascerá uma casa própria! Você acredita na Palavra de Deus?  

SOUZA, Raul de. A Lei da Semeadura. Épta Produções. Curitiba, PR: 2005. p. 46

Agora, você já sabe que é você quem determina, fixa os limites e diz o que você terá ou não. Por isso, pare de orar chorando, de se lamentar, suplicando que Deus, com Sua bondade, lembre-se de você. Esse tipo de oração pode parecer espiritual. Alguém pode achar lindo orar assim, mas isso não ter valor algum.

SOARES, R.R. Como Tomar Posse da Benção. Graça Editorial. Rio de Janeiro, RJ: 2004. p. 47-48

Mas, se você quer uma máquina de costura, guarde a imagem dela com a certeza absoluta de que ela está sendo feita ou de que está a caminho. Depois de formar o pensamento uma vez, acredite absoluta e definitivamente que a máquina de costura está a caminho. Nunca pense ou fale nela a não ser com a certeza de que vai chegar. Afirme que ela já é sua”.

WATTLES, Wallace Delois, A Ciência de Ficar Rico, 6ªed. Editora Best Seller. Rio de Janeiro, RJ: 2008. p. 41

Reparou na semelhança entre o pensamento positivo dos esotéricos e do determinismo apregoado pela Teologia da Prosperidade? Ambas têm o mesmo objetivo: o “eu” é o que importa.

Os ditos pastores atuais, pregam que o cristão verdadeiro não passa por dificuldades financeiras e nem por doenças. Se ele estiver passando por tais situações, alguma coisa ele fez de errado! Está com pecado escondido e depois de confessá-lo, Deus dará uma guinada na vida dele que ele não acreditará! Jó que o diga, não é verdade??

São mercadores da fé, distorcem a palavra de Deus, brincam com ela como se fosse um brinquedo e os fiéis não passam de marionetes nas mãos desses falsos mestres.

Prometem o que Deus nunca prometeu:

 “O problema não é de hoje. É multissecular. O profeta Jeremias fazia o que podia para convencer os reis e o povo de Israel da famosa tríade que estava para chegar a qualquer momento: a guerra, a fome e a peste (Jr 14.12; 21.7; 24.10; 27.8; 29.17; 32.24; 34.17; 38.2; 42.17; 44.13). Enquanto isso, o profeta Hananias, no mesmo lugar e para o mesmo público, profetizava “prosperidade” (Jr 28.9, NVI e BP), ou “paz” (NTLH, ARA e BV), ou “felicidade” (Tradução da CNBB). Um e outro usavam a mesma introdução: ‘Assim diz o Senhor’”.

É lhe familiar?

O que Deus não prometeu?

Ele não prometeu que seríamos livres de problemas.

“Eu disse essas coisas, para que em mim vocês tenham paz. Neste mundo vocês terão aflições; contudo, tenham bom ânimo! Eu venci o mundo!” (João 16:33).

Jesus é conciso ao afirmar que enfrentaríamos dificuldades no mundo: doenças, mortes, necessidades financeiras, perseguições de todos os tipos etc.; as pregações que alegam que quem é cristão não pode passar por tribulações são apenas falácias, não condiz com o que a Bíblia diz. E é, justamente, este tipo de palavra que chama as pessoas para a igreja, é o tipo de palavra que enche os templos, que dá dinheiro suficiente para que os bolsos transbordem.

Nós não somos maiores que o mestre. Jesus passou por perseguições, foi alvo de mentiras e foi crucificado. Os apóstolos passaram por dificuldades e não foi por levar mensagens frívolas, que eram boas de ouvir; muitos não tragavam o que eles pregavam e sofreram perseguições por isso. Paulo que o diga:

 23São eles servos de Cristo? – estou fora de mim para falar desta forma – eu ainda mais: trabalhei muito mais, fui encarcerado mais vezes, fui açoitado mais severamente e exposto à morte repetidas vezes.

24Cinco vezes recebi dos judeus trinta e nove açoites.

25Três vezes fui golpeado com varas, uma vez apedrejado, três vezes sofri naufrágio, passei uma noite e um dia exposto à fúria do mar.

26Estive continuamente viajando de uma parte a outra, enfrentei perigos nos rios, perigos de assaltantes, perigos dos meus compatriotas, perigos dos gentios; perigos na cidade, perigos no deserto, perigos no mar e perigos dos falsos irmãos.

27Trabalhei arduamente; muitas vezes fiquei sem dormir, passei fome e sede, e muitas vezes fiquei em jejum; suportei frio e nudez.

28Além disso, enfrento diariamente uma pressão interior, a saber, a minha preocupação com todas as igrejas.

2Coríntios 11

Paulo estava em pecado? Não era dizimista fiel? Nem ofertante? Não fazia atos proféticos? Não fazia uma fogueira santa? Não ungia objetos e levava consigo como amuleto? Não declarou a vitória? Não profetizou a benção? Jesus não estava com ele? Qual foi o erro de Paulo?

Paulo sofreu tudo isso porque não falou o que as pessoas queriam ouvir; consegue imaginar Paulo pregando para a igreja primitiva o que muitos pregam atualmente? Com certeza ele não passaria por nada disso.

Porém, Jesus disse para que tivéssemos bom ânimo! As dificuldades virão, contudo, tenha bom ânimo pois ele estará conosco não importa o que acontecer, a graça dele nos basta para enfrentarmos qualquer coisa. É na nossa fraqueza que somos fortes, porque Jesus está conosco e ele é melhor que qualquer riqueza prometida pelos falsos profetas.

O que fazer?

A principal forma de não se deixar levar por esses falsos mestres, é ler a Bíblia. Parece algo simples, não é mesmo? Simples, mas se todos lessem e verificassem se o que está sendo pregado é o que está de acordo com a palavra de Deus, não haveria tantos templos cheios onde esses ditos pastores lideram. Temos que ter a atitude que os bereianos tiveram quando Paulo foi pregar no meio deles:

Ora, estes eram mais nobres do que os de Tessalônica, porque receberam a palavra com toda avidez, examinando diariamente as Escrituras para ver se estas coisas eram assim” (Atos 17:11).

Os bereianos eram habitantes da Macedônia, da cidade de Beréia, e foi visitada por Paulo por volta de 52 D.C.; e foram dignos de destaque na Bíblia por receberem a palavra de Deus com muita sede e por examinarem as escrituras de forma diária para verificarem se condizia, realmente, o que era pregado por Paulo.

O interessante é que essa atitude não foi condenada por Paulo ou pela igreja, pelo contrário, foi vista como exemplo para que outras igrejas fizessem o mesmo e foi muito elogiada! Isso era motivo de alegria e satisfação. Se a mesma atitude acontecesse nas igrejas atuais, muitos pastores poderiam se sentir desconfortáveis e afrontados; não estou a afirmar que devemos descartar os ensinamentos de pastores, mas se o que está sendo dito não passar pelo crivo da palavra de Deus, então, tal doutrina advém de homens e não de Deus.

Bom senso é importante. É claro que todos ansiamos desfrutar de uma vida relativamente confortável. Pois muitos estudam, trabalham, se qualificam, têm vontade de viajar; querem oferecer uma vida confortável para a família e não há nada de mal nisso.

Há como também os adeptos da “Teologia da Miséria”, que pensam que os crentes não podem ter dinheiro demasiado, esse não é o caminho. Não precisa ser oito ou oitenta.

 É como diz o versículo:

não me dês nem a pobreza nem a riqueza; mantém-me do pão da minha porção de costume; para que, porventura, estando farto não te negue, e venha a dizer: Quem é o SENHOR? Ou que, empobrecendo, não venha a furtar, e tome o nome de Deus em vão(Provérbios 30.8-9).

Confie na graça de Deus. Quando você confiar em Deus em todos os sentidos, e lembrar que a graça dele te basta, que você é salvo não por merecimento, mas sim, porque ele quis te salvar; quando você lembrar que não é por fazer coisas pra Deus para merecer algo (a famosa troca de favores, barganhas com Deus); quando a religiosidade cair e dizer com toda a sinceridade “faça a sua vontade na minha vida”, você experimentará a mais poderosa graça e liberdade divina.

A Teologia da Prosperidade está em quase todos os lugares, assim como as mensagens “agradáveis” que vêm com ela. Busque a verdade na palavra de Deus, mesmo que faça você se sentir mal por dentro e por fora, mas verá que depois será libertador.

Lembre-se que quem prometeu dar tudo o que tinha no mundo em troca de adoração, foi o diabo, e não Jesus.

Uma pequena obervação: não é pecado ser rico. A riqueza, se adquirida por meios legítimos, não é errada aos olhos de Deus. Abraão foi homem rico e Salomão foi rei riquíssimo e nem por isso eles foram criticados na Bíblia por causa dessa condição. Somente não coloque sua confiança nela, mas em Deus.


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