A todos que anseiam e lutam por justiça e misericórdia no mundo, ao mesmo tempo que amam e proclamam o Juiz e Salvador do mundo.
David Platt, bacharel em Humanidades e em Jornalismo pela Universidade da Georgia, mestre em Divindade e Teologia e Doutor em Filosofia pelo Seminário Teológico Batista de New Orleans, em seu livro, Contracultura, mostra aos cristãos como assumir uma postura ativa em assuntos como pobreza, tráfico sexual, casamento, aborto, racismo e liberdade religiosa.
Vivemos em uma sociedade que está, claramente, tomada por uma cultura em que a cosmovisão que a permeia é o oposto dos valores que os cristãos creem e professam (ou ao menos deveriam).
Neste livro, o autor discute assuntos pertinentes que todo cristão deveria pensar e estar atento. Não é uma tratativa sobre vestimentas, dízimos, ofertas, discipulados etc.; embora sejam temas importantes e devem ser discutidos sob à luz das Escrituras, Platt direciona sua atenção para problemas poucos debatidos no seio da igreja.
Temos a tendência de focar nas questões que são cômodas e fáceis para nós. Mas esse não é o caminho, o fato de estarmos inseridos neste mundo secular, em uma cultura helenista e progressista, não quer dizer que tenhamos que moldá-los ao cristianismo. Esta obra nos mostra o quão acomodados possamos estar em relação a diversos temas; podem incomodar a nossa estrutura que, por vezes, a deixamos quieta para que nada a abale; Platt escancara que muitos de nós somos o famoso “crente nutela” e a maioria não sabe o que a Bíblia diz sobre determinados assuntos.
O autor mostra como os cristãos podem, e devem, assumir uma posição ativa em questões relevantes para os dias atuais, ao mesmo tempo que incentiva e desafia a se transformarem em vozes que entoam a causa de Cristo.
O livro levanta assuntos que, na verdade, são poucos discutidos e considerados dignos de importância no meio cristão. Qual foi a última vez que a sua igreja fez uma exposição bíblica sobre o pecado do homossexualismo?
“Certas questões que têm mais apelo popular, como a pobreza e a escravidão, em relação às quais a ação social costuma render aplausos e elogios aos cristãos, rapidamente nos mobilizam e nos levam a erguer a voz. Contudo, em questões polêmicas, como a homossexualidade e o aborto, pelas quais, nós, cristãos, costumamos ser criticados, contentamo-nos em ficar mudos e de braços cruzados. É como se tivéssemos decidido quais questões sociais confrontar e quais tolerar. E as escolhas que fazemos geralmente são as mais cômodas – e menos custosas – para nós em nossa cultura (p.15).”
É preciso escolher um lado, não tem como ficar em cima do muro.
Os assuntos são tratados e expostos de dois modos: como que a sociedade secularizada os enxergam e como os cristãos deveriam enxergá-las. Pois, na maioria das vezes, os que deveriam dar mais relevância a estes assuntos são os que mais ignoram por completo.
O livro é dividido em dez capítulos e, em cada um deles, faz utilização de pesquisas, estatísticas, citações de autores importantes no meio cristão como Tim Keller, Martinho Lutero e Lester DeKoster; experiências do próprio autor e, claro, a Bíblia. O autor traz argumentos consistentes, concisos e de fácil entendimento sobre os temas que se dispõe a tratar.
Mas antes de discorrermos sobre eles, Platt traz a tona um assunto que poucos observam: em como o cristianismo é uma ofensa não apenas aos descrentes, mas, principalmente aos cristãos. E uma destas ofensas, por exemplo, diz respeito em que a Bíblia afirma que o mal faz parte de nós e, assim, é uma parte inevitável de qualquer cultura que criamos. É muito difícil para alguns aceitarem isso.
“O evangelho é a força vital do cristianismo e proporciona o fundamento para confrontar a cultura, pois quando cremos de verdade no evangelho, começamos perceber que ele não só constrange o cristão a confrontar as questões sociais à sua volta, mas também cria de fato uma confrontação com a cultura ao seu redor – e dentro de nós.”
O interessante, que em cada capítulo, a palavra “Evangelho” é inserida como uma forma de demonstrar que não importa o problema pelo qual a sociedade esteja passando ou quais questões emblemáticas podem estar sendo discutidas, o Evangelho é a resposta para qualquer tipo de pecado.
No final de cada texto, o autor procura orientar, em alguns passos, maneiras pelas quais possamos alavancar uma oposição à cultura ao nosso redor:
- Direcionamento em oração;
- Como podemos participar em nossa comunidade, para auxiliar de formas variadas, os problemas culturais que nos rodeiam;
- Cita alguns versículos como uma forma de inspiração para proclamar em relação ao problema apresentado;
- E, finalmente, disponibiliza um site sobre o tema abordado, para obter mais sugestões para lidar com cada aspecto discutido no livro.
E o mais importante: o autor apresenta incentivos práticos, para que eu e você possamos fazer parte de uma mudança real, ao proclamarmos o Evangelho de Jesus.
É um livro narrado em primeira pessoa e durante a leitura, tem-se a impressão de que estamos conversando com o autor, há parágrafos que mais parecem um bate-papo, ora com o pastor, ora com um amigo e por vezes, com um cidadão, indignado, que procura fazer parte da sociedade vizando propiciar a diferença na vida de alguém.
É um despertamento e um chamado para todos os cristãos para sair do comodismo espiritual, adquirir uma postura cristã corajosa e intemente em relação ao que o “mundo” defende ao escolhermos as Escrituras Sagradas. O preço a ser pago pode ser alto.
Qual lado é o seu? Quer descobrir e estar seguro do que pensa e defender a todo custo em que acredita? Comece por ler este livro e descubra.
PLATT, David. Contracultura. Tradução A. G.Mendes. – São Paulo: Vida Nova, 2016. 288p.
Boa leitura!

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