A jornada de uma professora de língua inglesa rumo à fé cristã
“Os cristãos ainda me assustam quando reduzem o cristianismo a um estilo de vida e afirmam que Deus está do lado de quem obedece às regras do estilo de vida que eles inventaram ou alegam achar na Bíblia.” (p.27)
Champagne, doutora em Língua Inglesa, ex-lésbica e hoje casada com o pastor Kent, pais de quatro filhos adotivos, nos conta de que maneira a sua vida virou de cabeça para baixo (no bom sentido) após ter se tornado amiga de um pastor.
Quando lemos a autobiografia de alguém, é normal que a narrativa de vida se comece com a infância do autor, enfatizando os principais os acontecimentos até a idade adulta, mas não é esse o caso. A história de vida já se inicia com a autora academicamente formada, professora associada de uma renomada universidade e bem resolvida em relação as suas ideologias: lésbica, vegetariana, esquerdista, feminista, a favor do aborto e com um profundo desprezo pelos cristãos:
Para mim, os cristãos sempre pareceram péssimos pensadores. Parecia que eles podiam defender sua cosmovisão somente porque se refugiavam dos problemas do mundo real – como as estruturas materiais da pobreza, violência e racismo. Os cristãos sempre pareceram péssimos leitores também. Davam a impressão de usar a Bíblia de uma maneira que os marxistas a chamariam ‘vulgar’ – isto é, comum – ou buscando trazer a Bíblia para uma conversa a fim de impedir a conversa, não aprofundá-la.
(P .27)
Bem, ela não está totalmente errada.
A autora, ao longo da narrativa, é muito cuidadosa ao relatar o modo que de sua conversão. Ela frisa, na parte dos agradecimentos, que contar um testemunho é algo arriscado, pois pode ser que mesmo sem perceber, é possível que chamemos a atenção para nós e não para Deus. Rosaria tenta fugir de clichês como “choquem-se com os meus pecados antes de eu conhecer a Jesus”. Uma declaração sensacional, escrita entre parêntesis, serve para nossa reflexão: “Como se o pecado que cometo hoje fosse menos chocante!”. Não existe um gral maior ou menor de pecado. Pecado é pecado. Ponto.
Meu passado heterossexual não era mais santificado que meu presente homossexual .
(P. 65)
Umas das coisas que me fez admirá-la, é o fato da autora ser aberta a conhecer e ouvir sobre os assuntos que não dominava. E isso fez uma grande diferença em sua conversão. Depois de publicar, em um jornal local, uma crítica ao movimento Promise Keepers (ministério cristão com foco na família nos Estados Unidos), ela recebeu uma “enxurrada” de cartas de cristãos raivosos com a publicação. Mas em uma dessas cartas, um pastor da Igreja Presbiteriana Reformada a tratou com educação e fez algumas perguntas que ela nunca tinha pensado antes.
Aquele pastor foi o instrumento que Deus estava usando para a conversão quase improvável dela. Rosaria se aproximou dele com interesse para uma pesquisa científica sobre a vida dos cristãos (com a intenção de desmoralizá-los, claro), mas mal sabia que logo no primeiro encontro as suas ideias iriam mudar. Aliás, já começaram a mudar com a simples carta do pastor!
É um livro que abre os nossos olhos em relação em como enxergamos os homossexuais e como eles nos enxergam; ela levanta questões que são dignas de revisão e reflexão sobre em como temos orado (se oramos!) e tratado os homossexuais que chegam até nós através da igreja.
Rosaria abre o coração sobre como foi enfrentar cada etapa de sua transformação: de uma feminista implacável, progressista, pensava que estava salvando o mundo com as ideias que acreditava, com doutorado que atuava em uma conceituada universidade, para uma dona de casa com quatro filhos adotados.
Nesta jornada, algumas questões vieram em sua cabeça: como que uma pessoa, que viveu como homossexual há tanto tempo, poderia glorificar a Deus com a feminilidade? Como conciliar a vida de uma professora universitária, que fazia parte do movimento pelos direitos dos homossexuais, inclusive, aconselhando a muitos, iria se comportar com eles agora? Como Rosaria seria sem a identidade lésbica?
São perguntas intrigantes, mas que, com a ajuda de Deus e do pastor amigo, ela conseguiu as respostas em obediência.
A parte que ela trata de adoção foi muito emocionante. Devido a idade, já não era tão fácil para ela engravidar e, assim, decidiu adotar. Os seus escritos nos faz ter um novo olhar sobre o tema, a começar por nós, de termos sido adotados por um Deus amoroso.
Mesmo que não esteja mais trabalhando para a universidade, a autora exerceu os dons e a inteligência que Deus a presenteou de outras maneiras. Ela mostrou que o fato de não estar atrás de um púlpito, não era motivo para que não pudesse servi-lo.
Embora não concorde com alguns pontos teológicos que compartilha (são apenas detalhes), o livro pode ser visto como um despertar sobre o nosso comportamento, como igreja, em relação a diversos assuntos. A jornada que narra é linda e é muito dif´ficil conter as emoções em determinados momentos.
Acompanhe-a nesta caminhada de conversão, confissão, lágrimas e ensinos com a autora.
Nos faz pensar em nossa própria conversão.
Butterfield, Rosaria Champagne. Pensamentos secretos de uma convertida improvável. Tradução Josaías Jínior – Brasília, DF: Editora Monergismo, 2013. p. 226.

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