SEXTA-FEIRA SANTA

Texto base: Marcos 15.33-37.

A noite mais longa dá lugar à manhã quando Jesus, espancado além do aceitável e sangrando da cabeça aos pés, cambaleia fisicamente sem forças sob o peso de sua própria cruz em direção ao local da crucificação no Gólgota (Marcos 15.22).

Momentos depois, Jesus, com pregos cravados em seus pulsos e pés, é levantado em sua cruz.1 Em um dos mais cruéis meios de tortura que a humanidade já inventou, aquele rotulado como o Rei dos Judeus (Marcos 15:26) está em agonia.

Sua crucificação é um espetáculo muito público. A mesma multidão que tinha sido chicoteada em um frenesi “crucifica-o” pelos líderes religiosos apenas alguns minutos antes agora se reuniu ao redor de Jesus para continuar sua zombaria.

Um dos ladrões crucificados ao lado de Jesus se junta à multidão enquanto eles o insultam e zombam dele por sua incapacidade de se salvar (Marcos 15.27, 31). Eles não percebem que se este Rei se salvar, sua única esperança de salvação está perdida. O outro ladrão, no entanto, vê Jesus como ele realmente é e recebe o dom da vida quando pede ao Messias que se lembre dele (Lucas 23.42-43). A salvação está chegando.

Quando o relógio bate meio-dia, os céus acima da terra ficam escuros (v.33). Jesus, o Filho de Deus, está abraçando toda a ira de seu Pai para que possamos saborear a vida eterna. Ele se tornou pecado por nós (2 Coríntios 5.21), clamando em alta voz: “Meu Deus, meu Deus, por que me desamparaste?” (v.34, Salmo 22.1). É a maior demonstração de amor e obediência rendida que o mundo já viu e verá.

Pouco depois, tendo esvaziado o cálice que ele orou para passar por ele, e tendo experimentado toda a maldição do pecado, Jesus voluntariamente dá sua vida em duas palavras que inextricavelmente entrelaçam nosso passado, presente e futuro juntos e ainda ecoam na eternidade até hoje:

“Está consumado” (João 19.30).

Quando Jesus entrega seu espírito nas mãos de seu Pai e morre (Lucas 23.46), a cortina do templo é rasgada de alto a baixo (Marcos 15.38). O que uma vez nos separou da santa presença de Deus se foi para sempre, vencido pela graça. Pois neste dia, o mais sombrio da história, nosso Salvador fez um caminho de volta ao Pai para toda a humanidade ao restaurar na cruz a bagunça que o pecado fez no jardim. “Certamente este homem era (e é) o Filho de Deus!”

A salvação chegou. A salvação está aqui!


Traduzido com permissão de Woven: A Holy Week Devotional © Copyright 2020 The Bible Society in Northern Ireland.

Nota.

1Nota do Tradutor: Há um grande embate no meio acadêmico quanto ao que foi pregado com cravos: se foram as mãos ou os pulsos. Alguns cristãos acreditam que as mãos de Jesus não foram cravadas pelos pregos, mas seus pulsos. Por exemplo, Hank Hanegraaff em seu livro Cristianismo em Crise (p. 366) diz o seguinte: “[…] Veja você, Jesus nunca poderia ter mostrado a Hagin as alegadas cavidades nas palmas de suas mãos. Como qualquer estudante das Escrituras e da História sabe, os cravos foram fincados nos pulsos de Jesus e não nas palmas de suas mãos. A palavra grega usada no texto (cheir) refere-se de fato ao braço inteiro, incluindo a mão”. Hanegraaff cita uma série de dicionários e léxicos de língua grega para avalizar sua ideia. Ele continua dizendo: “Reforçando as Escrituras, tanto a arqueologia como a medicina proveem forte evidências de que os indivíduos crucificados não poderiam ter sido pregados nas palmas das mãos. O peso de seus corpos faria com que os cravos lhes rasgassem os dedos […]”. Na nota de rodapé 34 (p.470), Hanegraaff diz o seguinte: “O Dr. Pierre Barbet era o cirurgião-chefe do Hospital São José, de Paris. Ele realizou experiências com cadáveres, na década de 1930, as quais mostraram que a crucificação com pregos através das palmas das mãos não poderia sustentar o corpo na cruz. Os cravos teriam rasgado a carne.” Veja Pierre Barbet, A Doctor at Calvary, tradução para o inglês (Nova Iorque: P. J. Kenedy and Doubleday, 1953 [original francês de 1950], citado por Ian Wilson, The Mysterious Shroud (Garden City, NI: Doubleday, 1986), 17, 20; e Frank C. Tribble, Portrait of Jesus? (Nova Iorque: Stein & Day, 1983), 80, 99-104. É interessante que uma vítima de crucificação real na destruição romana de Jerusalém, em 70 d.C., de nome Yohanon ben ha-Galgol, foi escavada por arqueólogos israelitas num cemitério da era do Novo Testamento, exatamente do lado de fora de Jerusalém, em 1968. Yohanon foi crucificado com um cravo através dos ossos rádio e cúbito do antebraço, como se evidencia pela trituração encontrada dentro do osso rádio, no fim do pulso (Wilson, 32-3; e Tribble, 86-7). As experiências de Barbet com cadáveres foram recentemente repetidas e confirmadas, em Paris, pelo cirurgião ortopédico Dr. Pierre Meret (“Critical Study: Anatomy and Physiology of the Shroud”, The Catholic Counter-Reformation in the XXth Century, nº 218 [abril de 1989], 3-4).

Randall Price, teólogo e arqueólogo, em seu livro Pedras que Clamam, escreveu que os estudiosos argumentaram que os cravos não poderiam ter sido usados para firmar a vítima na cruz, porque mãos e pés pregados não teriam podido segurar o corpo na cruz. Price diz que as vítimas eram presas por cordas. Price baseia-se em um estudo escrito por J. W. Hewitt intitulado The Use of Nails in the Cricifixion” (Harvard Theological Review, volume 25 [1932], p. 29-45). Contudo, depois da ressurreição, Jesus mostrou seu corpo crucificado aos discípulos e disse: “Vede as minhas mãos e meus pés” (Lc 24.39). As cicatrizes que mostrou não eram de marcas de cordas, mas de “cravos”. (Pedras que Clamam, p. 269). Price diz também que exames mais recentes feitos por analistas antropológicos nos outros ossos de Yohanan não comprovaram que os pulsos foram pregados (p. 270).

O Dr. James Tabor, Ph.D em estudos religiosos, conta que além da descoberta dos ossuário de Yohana há outras duas que merecem nossa atenção, pois lançam mais luz sobre a questão que estamos analisando. Ele descreve a descoberta de uma tumba que onde foram encontrados os ossos de um homem chamado Antigonus, que foi o último dos reis Hasmoneanos, inimigo de Herodes o Grande. Antigonos foi crucificado e decapitado pelo general Marco Antônio. A tumba foi encontrada em 1970, também em Giv’at ha-Mivtar. Os restos esqueléticos de uma das mãos ainda tinham dois pregos menores presos aos ossos, que não foram colocados nos pulsos, entre os ossos do rádio e da ulna, como mutos pensaram por anos, mas na verdade estavam nas mãos, como indica Lc 24.39 e . Jo 20.27.


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Jesus sendo crucificado em meio a multidão.

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