Uma mãe de oração
Susanna Wesley
Susanna Wesley (1669 – 1742) nasceu em Londres, Inglaterra, foi a vigésima quinta filha (sim!) de Samuel Annesley, sendo ela a mais velha. Seu pai foi um clérigo puritano muito dedicado e um homem de fé: era acostumado a ler vinte capítulos da Bíblia diariamente; recebia teólogos e filósofos em sua casa e Susanna sempre esteve por perto ouvindo e observando tudo.
A vida familiar de Susanna, com pais dedicados ao Senhor, foi fundamental para ela, pois fez o mesmo quando foi dona de seu próprio lar. Talvez você ainda não tenha se familiarizado com o famoso sobrenome, então, antes de darmos continuidade na narrativa sobre a vida desta notável mulher, vamos falar, ainda que de forma resumida, sobre dois de seus filhos: Charles Wesley e John Wesley.
Charles foi o décimo oitavo e último filho do casal Wesley. Ele é mais conhecido como autor de hinos e poemas sacros. Suas composições poéticas, incluindo as que ainda não foram publicadas, é de cerca de 9.000 textos. Por ser um poeta muito modesto, pensou que os seus escritos não eram merecedores de serem publicados. Ele escrevia diariamente, raros são os momentos que não o fazia e era uma forma de expressar todo o seu amor a Deus.
Um de seus belíssimos poemas:
Quando em casa descanso (When quiet in my house I sit)
Letra: Charles Wesley, 1762
Tradução: Simei Monteiro, 2006
Quando em casa descanso dos trabalhos do dia, o teu livro sagrado companhia me faz. Relembrar teus ensinos me traz plena alegria e falar do que queres: da beleza e da paz. Creio em tuas promessas; dá-me clara visão e palavras sinceras no meu coração. Sejam vivas, graciosas, as palavras divinas: o assunto do dia e a conversa sem fim. Companheiro constante pelas ruas e esquinas, vais andando, falando e tocando em mim. E eu, sentindo a presença de tua graça e calor, sigo, ardendo na chama infinita do amor. Já bem tarde, o cansaço me convida ao descanso e nas tuas palavras amorosas gentis, me recebes, me aceitas, com doçura, tão manso, me embalando no abraço que me torna feliz. Mergulhando nos sonhos das bondades além, antecipo, contente, as visões do teu bem. Madrugada, eu desperto, pra cantar teus louvores pelas horas do dia, pelo tempo a passar. Que as palavras da graça, transbordantes favores, do meu íntimo brotem junto ao dom de falar. Vem encher minha vida da pureza do amor e me eleva ao teu céu, na tua Igreja, Senhor! [1]
John Wesley, o autor da famosa frase “o mundo é a minha paróquia”, viajava à todos os lugares em cima de seu cavalo, o qual lhe rendeu o apelido de “O Cavaleiro de Deus”; estima-se que ele tenha percorrido cerca de 400 mil km e pregado 40 mil sermões e foi um dos responsáveis pelo grande avivamento europeu. Este grande pregador do Evangelho não atribuiu tudo isso aos ensinos acadêmicos sobre teologia do qual estudava com esmero, mas à uma pessoa em especial:
“Aprendi mais sobre o cristianismo com minha mãe do que com todos os teólogos da Inglaterra.”
A influência que esta nobre mãe exerceu sobre os filhos definiu todo o ministério que Deus confiou a eles.
Susanna Wesley enfrentou vários problemas e desafios em sua vida, mas sempre se apoiou em Deus e nas Escrituras para que pudesse viver uma vida piedosa. Não negligenciava, em nenhum momento, os momentos com o Senhor. É claro que os afazeres domésticos não tornavam a comunhão com o Pai Celestial muito fácil. Mesmo assim, era decidida em dedicar ao Senhor duas a três horas por dia em oração e meditação na Palavra! Para conseguir cumprir seu objetivo, ela fazia um sinal visual para todos em casa: quando estivesse usando o avental na cabeça, era para sinalizar que estava em oração e que não deveria ser incomodada, somente em casos muito extremos.
Esses momentos de intimidade com o Senhor a fortaleceram para suportar tudo o que lhe aconteceu: Samuel, seu marido, não administrava muito bem a casa e eles viviam em dívidas constantes; dos dezenove filhos, só dez não morreram na infância; uma de suas crianças tinha deficiência física devido ao descuido de uma empregada; outra só aprendeu a falar com seis anos; por duas vezes seu marido foi preso pela alta quantia que devia aos outros; a congregação em que pastoreava não gostava muito dele e das casas que fixaram residência, duas foram incendiadas o que ocasinou a perca de todos os bens materiais.
Mesmo enfrentando todas as dificuldades que lhe foram impostas, ela nunca deixou de colocar Deus no centro de sua vida. Durante um momento muito difícil, Susanna foi ao quarto para se encontrar com o Senhor e escreveu:
“Ainda que o homem nasça para o infortúnio, eu creio, todavia, que sejam raros os homens sobre a Terra, considerado todo o curso da sua vida, que não tenham recebido mais misericórdia do que aflições e muito mais prazeres do que dor. Todos os meus sofrimentos, pelo cuidado admirável do Deus Onipotente, cooperaram para promover meu bem espiritual e eterno… Glória seja a ti, oh Senhor!”
Em sua casa, além de liderar cultos domésticos com os filhos, também foi transformada por ela em uma escola. Durante vinte anos, seis horas por dia, essa mãe se dedicava ao ensino dos filhos de tudo um pouco, pois era uma mulher muito inteligente e sabia falar os idiomas grego, francês e latim.
Houve uma vez que seu marido lhe perguntou: “Por que você se assenta aí ensinando a mesma lição pela 20ª vez a essa criança medíocre?”, ela respondeu: “Se tivesse me satisfeito em mencionar esse assunto somente 19 vezes, todo o esforço teria sido em vão. Foi a 20ª vez que coroou todo o trabalho”.
Todos os seus filhos foram muito cultos. Ela conseguiu impregnar neles o amor pela aprendizagem e principalmente, pela palavra de Deus. Na falta de um discipulado na igreja e em casa, pois seu marido ficava muito tempo ausente, fez com que Susanna reunisse seus filhos no domingo à tarde para os cultos familiares.
Com todos os afazeres domésticos, Susanna nunca deixou de realizar cultos em sua casa nos domingos a noite. Os vizinhos começaram a perguntar se poderiam participar das reuniões que já chegou a mais de 200 pessoas que assistiam ao culto à tarde na casa dela; enquanto o culto de domingo pela manhã realizado na igreja, que era conduzido por alguém indicado pelo marido, se reduzia a quase nada.
Susanna elaborou 16 regras que auxiliava na criação dos filhos:
- Comer entre as refeições não é permitido;
- Como crianças, elas devem estar na cama até às 20h;
- Devem tomar remédio sem reclamar;
- Dominar a obstinação na criança e trabalhar com Deus para salvar a alma dela;
- Ensinar a criança a orar tão logo comece a falar;
- Exigir que todas fiquem em silêncio durante a Adoração Familiar;
- Não lhes dar nada que peçam chorando, apenas quando pedirem educadamente;
- Para evitar mentiras, não punir nenhum erro confessado e do qual logo se arrependam;
- Nunca permitir que um ato pecaminoso passe impune;
- Nunca punir uma criança duas vezes por uma única ofensa;
- Elogiar e recompensar o bom comportamento;
- Toda tentativa de agradar, mesmo que pequena, deve ser elogiada;
- Preservar o direito de propriedade, mesmo em casos de menor importância;
- Cumprir com rigor todas as promessas feitas;
- Não exigir que uma filha trabalhe antes que saiba ler bem;
- Ensinar as crianças a temerem a vara.
Susanna faleceu no dia 30 de julho de 1742. Até mesmo diante da morte, ela deu testemunho inabalável de uma fé verdadeira. Pouco antes de morrer, pediu aos filhos que estavam com ela:
“Filhos, assim que eu me libertar deste corpo, cantem um salmo de louvor a Deus”.
Eles atenderam o último desejo da mãe. John Wesley liderou o culto fúnebre.
Certa vez, John mencionou sobre aquele funeral: “Foi uma das reuniões mais solenes que eu já vi, ou esperei ver, neste lado da eternidade.”
O autor inglês Isaac Taylor diz sobre essa admirável mulher:
“Susanna Wesley foi a mãe do metodismo no sentido moral e religioso. Sua coragem, sua submissão à autoridade, a firmeza, a independência e o controle de sua mente, o fervor de seus sentimentos devocionais e a direção prática dada a seus filhos brotaram e se repetiram muito visivelmente no caráter e na conduta de seu filho John. Poucas mulheres na história possuíram a sensibilidade espiritual, o vigor e a sabedoria de Susanna Wesley.”
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[1] Veja-se esse hino: letra e música no site: hinologia.org
Pellowe, Susan. Biografia de Susanna Wesley Arquivadaem 13 de maio de 2009, noWayback Machine2009-05-13. Recuperado em 4 de fevereiro de 2007.
https://salcultural.com.br/wesleyano/index.php/2016/12/30/quem-foi-charles-wesley/

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