Em Filipenses 3, Paulo inicia seu argumento dando uma ordem: “Alegrem-se no Senhor”. Isto é, alegrem-se no Senhor Jesus. A ideia aqui é que é dever dos cristãos se alegrar no Senhor Jesus Cristo. Este dever implica as seguintes coisas.
Primeiro. Devemos nos alegrar por termos tal Salvador. Homens em toda parte sentem a necessidade de um salvador, e para nós deveria ser motivo de alegria não fingida que um Salvador tenha sido provido para nós. Quando pensamos em nossos pecados, podemos agora nos alegrar porque há alguém que pode nos livrar deles; quando pensamos no valor da alma, podemos nos alegrar por haver alguém que pode salvá-la da morte; quando pensamos em nosso perigo, podemos nos alegrar por haver alguém que pode nos resgatar de todo perigo e nos levar a um mundo onde estaremos para sempre seguros.
Segundo. Podemos alegrar-nos por termos tal Salvador. Ele é exatamente como nós precisamos. Ele realiza exatamente o que queremos que um Salvador faça. Precisamos de alguém para nos dar a conhecer uma forma de perdão, e ele o faz. Precisamos de alguém para fazer expiação pelo pecado, e ele faz isso. Precisamos de alguém que nos dê paz de uma consciência perturbada, e ele o faz. Precisamos de alguém para nos apoiar em provações e lutos, e ele faz isso. Precisamos de alguém que possa nos confortar no leito da morte e nos guiar pelo vale escuro, e o Senhor Jesus é exatamente o que queremos. Quando olhamos para seu caráter, é exatamente como deveria ser para conquistar nossos corações e nos fazer amá-lo; e quando olhamos para o que ele fez, vemos que ele realizou tudo o que podemos desejar. E por que não devemos nos alegrar?
Terceiro. Podemos e devemos nos alegrar nele. A principal alegria do verdadeiro cristão deve estar no Senhor. Ele deve encontrar sua felicidade não nas riquezas, ou alegria, ou vaidade, ou ambição, ou livros, ou no mundo de qualquer forma, mas na comunhão com o Senhor Jesus e na esperança da vida eterna por meio dele. Em sua amizade e em seu serviço deve estar a maior de nossas alegrias, e nelas podemos ser sempre felizes. É privilégio, portanto, de um cristão se alegrar. Ele tem mais fontes de alegria do que qualquer outro homem – fontes que não falham quando todas as outras falham. A religião não é tristeza ou melancolia, é alegria; e o cristão nunca deve deixar a impressão nos outros de que sua religião o torna sombrio ou melancólico. Um semblante alegre, um olhar de benignidade, uma conversa agradável e gentil, devem sempre evidenciar a alegria de seu coração, e em todas as suas relações com o mundo ao seu redor ele deve mostrar que seu coração está cheio de alegria.
Bibliografia.
BARNES, Albert; MURPHY, James, Notes on the New Testament: Ephesians, Philippians & Colossians. London: Blackie & Son, 1884, pp. 189–190. Traduzido e adaptado por Samuel Sousa Gomes.

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