“Porém tu és o mesmo, e os teus anos nunca terão fim” (Salmos 102:27).
Nos primeiros meses do ano é normal estarmos empolgados com a expectativa de um recomeço e o anseio de adotar atitudes diferentes vem à tona: o que escasseou de iniciativa no ano que se passou, sobra empolgação para o próximo que, na maioria das vezes, deixamos de cumprir várias promessas.
Somos, por natureza, seres inconstantes, frágeis e impermanentes. O mundo sempre passou e continua a passar por grandes transformações, para o bem ou para o mal, assim, não estamos ilesos a tantas mudanças.
Em todo o universo há alguém que não é igual a nós e por este motivo, mesmo em meio a tantas transições, podemos confiar o nosso futuro a ele: “Jesus Cristo é o mesmo ontem, e hoje, e eternamente” (Hb 13:8). Desde a fundação do mundo temos alguém que não muda e nem há sequer uma sombra de variação (Tg 1:17) e os anos para ele não tem fim (Sl 102:27): Jesus, o Cristo, é imutável.
A imutabilidade pertence apenas a Deus: Cristo é o mesmo ontem, hoje e para sempre (Hebreus 13:8). Em suma, a existência independente e necessária, que são essenciais à Divindade, devem ser atribuídas a Ele, porque Ele é Deus de Si mesmo. Embora como homem e mediador, Ele teve uma vida que lhe foi comunicada pelo Pai; contudo como Deus, Ele não deve Sua existência a ninguém; esta não é derivada de outro, Ele é sobre todos, Deus bendito eternamente, e deve, portanto, ser o verdadeiro Deus e a vida eterna.[1]
Por ser um Deus imutável, podemos confiar a ele nossa vida. Se Deus mudasse de pensamentos como nós, não poderíamos confiar, em oração, o que pensamos a ele; se ele trocasse de ideia como trocamos a nossa, basicamente todos os dias, não poderíamos depositar nele a nossa esperança; se o Senhor, diariamente, substituísse de personalidade, não poderíamos, absolutamente, confiar que ele molde a nossa e se Deus possuísse um coração enganoso, assim como nós, não seria possível suplicar por ajuda para nos dê o dele.
Não é esse o caso. Deus é digno de confiança e de louvor, nele, podemos depositar toda a nossa insegurança, medo e incertezas com a certeza de que ele cuida de nós.
Quando Jesus pagou o preço pelo nosso pecado na cruz, o objetivo não era, com este ato, possibilitar uma personalidade e um caráter melhor ou para que nos transformássemos, de uma hora para outra, em pessoas boazinhas, como muitos gostam de dizer. A morte de Cristo foi para que nos convertêssemos em novas criaturas; quando Cristo faz morada em nós, nascemos novamente e vivemos o milagre da salvação.
Que tenhamos dúvidas referente ao nosso cotidiano é normal: qual a melhor forma de aplicar as economias, que faculdade cursar, qual casa comprar etc., o que não podemos duvidar é da palavra de Deus quando diz: “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” (2 Coríntios 5:17). Cristo não muda, mas nele contém o que necessitamos para uma nova vida.
Desse modo, adquirimos novo caráter e personalidade e possuímos uma nova maneira de viver. Se somos novas criaturas, realmente tudo se faz novo: as mentiras, os roubos, a lascívia, a avareza, o adultério, a promiscuidade, os idólatras, os hipócritas etc.; quem odiava o seu próximo, agora o ama de todo coração e quem vivia prostrado pelo pecado, agora vive prostrado aos pés de Jesus.
Considere quão grande é o conforto de estar pessoalmente ligada a um Deus que não muda. Do Antigo Testamento ao Novo, ele é o mesmo. Nenhum de seus atributos pode aumentar ou diminuir, porque cada um é imutavelmente infinito. Seu conhecimento não pode aumentar ou diminuir. Sua fidelidade não pode aumentar ou diminuir. Nossas ações, boas ou más, não podem aumentar nem diminuir sua glória. Ele não pode se tornar mais santo nem menos firme. Ele simplesmente é tudo isso ao máximo — para sempre.[2]
Que possamos confiar a nossa transformação a um Deus imutável e infinitamente bom, mesmo quando somos mutáveis e maus.
Notas:
[1] WILKIN, Jen. Incomparável: 10 maneiras em que Deus é diferente de nós e porque isso é algo bom. São José dos Campos: Fiel, 2017.
[2] A Plenitude do Mediador, por John Gill. Pregado em 15 de Junho de 1736, à Sociedade que apoia a tarde de leitura do Dia do Senhor. Próximo de Devonshire-Square.

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