O DEUS QUE NÃO MUDA

“Porém tu és o mesmo, e os teus anos nunca terão fim” (Salmos 102:27).

Nos primeiros meses do ano é normal estarmos empolgados com a expectativa de um recomeço e o anseio de adotar atitudes diferentes vem à tona: o que escasseou de iniciativa no ano que se passou, sobra empolgação para o próximo que, na maioria das vezes, deixamos de cumprir várias promessas.

Somos, por natureza, seres inconstantes, frágeis e impermanentes. O mundo sempre passou e continua a passar por grandes transformações, para o bem ou para o mal, assim, não estamos ilesos a tantas mudanças.

Em todo o universo há alguém que não é igual a nós e por este motivo, mesmo em meio a tantas transições, podemos confiar o nosso futuro a ele: “Jesus Cristo é o mesmo ontem, e hoje, e eternamente” (Hb 13:8). Desde a fundação do mundo temos alguém que não muda e nem há sequer uma sombra de variação (Tg 1:17) e os anos para ele não tem fim (Sl 102:27): Jesus, o Cristo, é imutável.

Por ser um Deus imutável, podemos confiar a ele nossa vida. Se Deus mudasse de pensamentos como nós, não poderíamos confiar, em oração, o que pensamos a ele; se ele trocasse de ideia como trocamos a nossa, basicamente todos os dias, não poderíamos depositar nele a nossa esperança; se o Senhor, diariamente, substituísse de personalidade, não poderíamos, absolutamente, confiar que ele molde a nossa e se Deus possuísse um coração enganoso, assim como nós, não seria possível suplicar por ajuda para nos dê o dele.

Não é esse o caso. Deus é digno de confiança e de louvor, nele, podemos depositar toda a nossa insegurança, medo e incertezas com a certeza de que ele cuida de nós.

Quando Jesus pagou o preço pelo nosso pecado na cruz, o objetivo não era, com este ato, possibilitar uma personalidade e um caráter melhor ou para que nos transformássemos, de uma hora para outra, em pessoas boazinhas, como muitos gostam de dizer. A morte de Cristo foi para que nos convertêssemos em novas criaturas; quando Cristo faz morada em nós, nascemos novamente e vivemos o milagre da salvação.

Que tenhamos dúvidas referente ao nosso cotidiano é normal: qual a melhor forma de aplicar as economias, que faculdade cursar, qual casa comprar etc., o que não podemos duvidar é da palavra de Deus quando diz: “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” (2 Coríntios 5:17). Cristo não muda, mas nele contém o que necessitamos para uma nova vida.

Desse modo, adquirimos novo caráter e personalidade e possuímos uma nova maneira de viver. Se somos novas criaturas, realmente tudo se faz novo: as mentiras, os roubos, a lascívia, a avareza, o adultério, a promiscuidade, os idólatras, os hipócritas etc.; quem odiava o seu próximo, agora o ama de todo coração e quem vivia prostrado pelo pecado, agora vive prostrado aos pés de Jesus.

Que possamos confiar a nossa transformação a um Deus imutável e infinitamente bom, mesmo quando somos mutáveis e maus.


Notas:

[1] WILKIN, Jen. Incomparável: 10 maneiras em que Deus é diferente de nós e porque isso é algo bom. São José dos Campos: Fiel, 2017.

[2] A Plenitude do Mediador, por John Gill. Pregado em 15 de Junho de 1736, à Sociedade que apoia a tarde de leitura do Dia do Senhor. Próximo de Devonshire-Square.



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