Fiel em meio ao mundano
Sarah Pierrepont nasceu, em 9 de janeiro de 1710. Toda a sua vida seria desgastada no cenário de incerteza política e de guerra iminente. Sua família vivia no presbitério de New Haven, Connecticut, onde seu pai, James, era pastor. Ele foi um dos fundadores do Yale College e uma autoridade proeminente na igreja da Nova Inglaterra.
A mãe de Sarah foi Mary Hooker, cujo bisavô, Thomas Hooker, foi um dos fundadores de Connecticut. Thomas Hooker teve um papel importante quando as Ordens Fundamentais da colônia foram escritas, provavelmente a primeira constituição escrita da história.
Como filha de uma das famílias mais distintas de Connecticut, Sarah teve a melhor educação que uma mulher daquele tempo poderia receber. Aperfeiçoou-se nas habilidades refinadas da sociedade. As pessoas que a conheciam mencionavam sua beleza e sua maneira de fazer as pessoas se sentirem bem. Samuel Hopkins, que mais tarde a conheceu, enfatizou a “peculiaridade de sua encantadora expressão, como resultado da combinação de inteligência e bondade”.1
JONATHAN EDWARDS
Diferentemente dela, Jonathan Edwards, seu futuro marido, era introvertido, tímido, inquieto e de pouco falar. Iniciou seus estudos na faculdade aos treze anos e formou-se como orador oficial. Comia pouco, naquele tempo de mesas fartas, e não era inclinado à bebida. Era alto, desajeitado e muito esquisito. Faltava-lhe cordialidade. Ele escreveu em seu diário: “Uma virtude que necessito em mais alto grau é a gentileza. Se eu tivesse um ar mais gentil, seria muito melhor”.2
SARAH E JONATHAN
Em 1723, aos dezenove anos, Jonathan se formou, em Yale, e foi pastor em Nova York, por um ano. Quando terminou seu período de pastorado naquela igreja, começou a trabalhar como professor em Yale e voltou para New Haven, onde Sarah Pierrepont morava. É possível que Jonathan já a tivesse conhecido três ou quatro anos antes, quando estudara em Yale. Naquele tempo de estudante, quando tinha mais ou menos dezesseis anos, Jonathan provavelmente viu Sarah, quando frequentava a Primeira Igreja de New Haven, onde o pai dela pastoreou até a sua morte, em 1714, e onde seus familiares continuaram como membros.3
Ao iniciar seu trabalho como professor, no início do ano letivo, parece que Jonathan se distraiu um pouco de sua dedicação habitual aos estudos. Uma história popular nos conta que ele sonhava diante de sua gramática de grego, a qual tencionava estudar, a fim de preparar sua aula. Em vez disso, encontramos sobre a página de rosto daquela gramática, um relato de seus verdadeiros pensamentos:
Dizem que em [New Haven] existe uma moça amada do Grande Ser, Aquele que criou e governa o mundo. Dizem que em certos períodos este Grande Ser vem ao encontro desta moça e, de uma maneira invisível, enche-lhe os pensamentos com extraordinário deleite; e que ela dificilmente se interessa por qualquer outra coisa, exceto meditar nEle… [Você] não pode persuadi-la a fazer qualquer coisa errada ou pecaminosa, ainda que prometa dar-lhe o mundo inteiro, pois ela receia ofender a este Grande Ser. Ela possui muita doçura, tranquilidade e total benevolência de pensamento; especialmente depois que este Grande Deus se manifestou a ela. Às vezes, anda de um lugar a outro, cantando com doçura; e parece estar sempre cheia de alegria e gozo… Ela ama estar sozinha, passeando pelos bosques e campos, e parece ter Alguém Invisível sempre a conversar com ela.4
Enquanto Sarah crescia e Jonathan tornava-se, de certa forma, mais gentil, eles começaram a passar mais tempo juntos. Gostavam de conversar e caminhar juntos; e ele aparentemente encontrou nela uma mente que combinava com sua beleza. De fato, ela lhe apresentou um livro de Peter van Mastricht, o qual mais tarde muito influenciaria o pensamento de Jonathan.7 Eles ficaram noivos na primavera de 1725.
Jonathan era um homem cuja natureza enfrentaria incertezas, tanto em seus pensamentos quanto em sua teologia, como se tais incertezas lhe causassem grande tensão física. Além disso, os anos que teve de esperar até que Sarah tivesse idade para casar trouxeram-lhe pressão ainda maior.
Provavelmente seus sentimentos por Sarah fizeram com que Jonathan temesse pecar por pensamentos. Em seu esforço por manter-se puro, fez a seguinte resolução: “Quando sou violentamente atacado por uma tentação, ou não consigo livrar-me de pensamentos impuros, decido fazer alguma operação aritmética ou de geometria, ou algum outro estudo, que necessariamente envolva toda a minha mente e a impeça de ficar vagueando”.9
COMEÇO DA VIDA CONJUGAL
Jonathan Edwards e Sarah Pierrepont se casaram, finalmente, em 28 de julho de 1727.
Jonathan tornou-se pastor em Northampton, seguindo os passos de seu avô, Solomon Stoddard. Começou este ministério em fevereiro de 1757, apenas cinco meses antes de seu casamento, em New Haven.
De acordo com os costumes da época, um biógrafo imagina a chegada de Sarah à igreja de Northampton:
Qualquer pessoa bonita que chegue a um vilarejo gera curiosidade. Contudo, quando tal pessoa é também a esposa do novo pastor, causa intenso interesse. A maneira como os bancos da igreja eram dispostos naquela época, davam destaque à família do pastor como uma bandeira tremulando… Por isso, os olhos de cada pessoa da cidade estavam sobre Sarah, enquanto ela se movia em seu vestido de noiva.
O costume ditava que uma noiva, em seu primeiro domingo na igreja, vestisse seu vestido de noiva e caminhasse vagarosamente, para que todos pudessem observá-lo bem. As noivas também tinham o privilégio de escolherem o texto a ser pregado no primeiro domingo após o seu casamento. Não há registro a respeito do texto que Sarah escolheu, mas seu versículo favorito era: “Quem nos separará do amor de Cristo?” (Rm 8.35). É possível que ela tenha escolhido este versículo como texto para a pregação.
Ela tomou seu lugar no assento designado a simbolizar o seu papel – um banco alto de frente para a congregação, onde todos poderiam perceber o menor sinal de expressão. Sarah havia sido preparada para esta posição de evidência a cada domingo de sua infância, na comunidade de New Haven, mas era diferente de ser, ela mesma, a esposa do pastor. Outra mulher poderia bocejar ou mover furtivamente o pé, numa manhã fria de janeiro, dentro de uma igreja sem aquecimento. Ela nunca. 12
Marsden diz: “No outono de 1727 [cerca de três meses após o casamento], Jonathan tinha recuperado sua conduta espiritual, principalmente sua habilidade em aprofundar a intensidade espiritual que havia perdido por três anos”.13
SARAH COMO ESPOSA
Quando Sarah iniciou seu papel de esposa, deu a Jonathan liberdade para buscar os combates filosóficos, científicos e teológicos que fizeram dele o homem que nós honramos. Edwards era um homem a quem as pessoas reagiam. Era diferente, intenso. Sua força moral era uma ameaça às pessoas inclinadas ao rotineiro. Após adentrar seus pensamentos às verdades bíblicas e implicações teológicas ou aos assuntos eclesiásticos, ele não voltava atrás em suas descobertas.
Edwards era um pensador que mantinha ideias em sua mente, ponderando-as, separando-as, juntando-as a outras ideias e testando-as contra outras partes da verdade de Deus. Tal homem alcança o auge quando as ideias separadas juntam-se numa verdade maior. Mas, também é o tipo de homem que pode encontrar-se em covas profundas, no caminho à verdade.15
Não é fácil viver com um homem assim. Mas Sarah encontrou meios de construir um lar feliz para ele. Ela o assegurou de seu amor constante e criou uma atmosfera e uma rotina, nas quais ele gozava de liberdade para pensar. Ela entendia que, quando ele estava absorto em um pensamento, não queria ser interrompido para jantar. Compreendia que suas sensações de alegria ou tristeza eram intensas. Edwards escreveu em seu diário: “Frequentemente, tenho visões muito comoventes de minha própria pecaminosidade e perversidade, a ponto de me levar a um choro alto… que sempre me força a ficar a sós”.16
A cidade via um homem sereno. Sarah conhecia as tempestades que existiam dentro dele. Ela conhecia o Jonathan da intimidade do lar.
Samuel Hopkins escreveu:
Enquanto ela tratava seu marido com acatamento e inteiro respeito, não poupava esforços para conformar-se às inclinações dele e tornar tudo em família agradável e prazeroso, fazendo disso sua maior glória e o modo como poderia melhor servir a Deus e à sua geração [e a nossa, podemos acrescentar]; e isso tornava-se o meio de promover o benefício e a felicidade de seu marido.17
SARAH COMO MÃE
Em 25 de agosto de 1728, os filhos começaram a chegar na família– onze ao todo –com quase dois anos de intervalo entre cada um: Sarah, Jerusha, Esther, Mary, Lucy, Timothy, Suzannah, Eunice, Jonathan, Elizabeth e Pierpont.19 Este foi o começo do próximo grande papel de Sarah, o de mãe.
Por volta do ano 1900, quando Winship fez seu estudo, o casamento de Jonathan e Sarah havia produzido:
13 presidentes de universidades
65 professores
100 advogados e um reitor de uma faculdade de Direito
30 juízes
66 médicos e um reitor de uma faculdade de Medicina
80 encarregados de ofício público, inclusive:
3 senadores nos Estados Unidos
Prefeitos de 3 grandes cidades
Governadores de 3 estados
Um vice-presidente dos Estados Unidos
Um diretor do Ministério da Fazenda dos Estados Unidos
Os membros da família escreveram 135 livros… editaram 18 jornais e periódicos. Iniciaram o ministério em grandes grupos e enviaram cem missionários além-mar, como também muitos membros da família foram diretores de organizações missionárias.20
Bem podemos perguntar como Elisabeth Dodds: “Que outra mãe contribuiu tão essencialmente para a liderança de uma nação?”
O SERVIÇO DOMÉSTICO
Em nossas casas modernas, com aquecedores centrais, é difícil imaginar as tarefas que Sarah tinha de fazer ou delegar: quebrar gelo para tirar a água do poço, trazer lenha e acender o fogo, cozinhar e preparar lanches para os viajantes que os visitavam, fazer roupas para a família (desde a tosquia das ovelhas até o tear e a costura), plantar e cultivar, fazer vassouras, lavar roupa à mão, tomar conta de bebês, tratar enfermidades, fabricar velas, alimentar as aves domésticas, supervisionar o abate de animais, ensinar aos meninos tudo que não aprendessem na escola e observar se as meninas estavam aprendendo a realizar as tarefas do lar. Isto era apenas uma pequena porção das responsabilidades de Sarah.
Certa vez, quando Sarah estava fora da cidade e Jonathan ficara encarregado das tarefas da casa, escreveu, quase desesperado: “Temos vivido sem você, mas ainda não sabemos como fazer isso”.22
Muito do que sabemos a respeito das tarefas domésticas da família Edwards vem de Samuel Hopkins, que viveu com eles durante algum tempo, e escreveu:
Ela possuía um jeito excelente de governar os filhos; sabia como fazê-los respeitar e obedecer alegremente, sem palavras iradas ou gritos e, muito menos, sem bater neles… Se alguma correção era necessária, não a ministrava com cólera; quando tinha necessidade de repreender e reprovar, ela o fazia com poucas palavras, sem irritação [isto é, sem impetuosidade] nem barulho…23
Seus filhos eram onze pessoas diferentes, provando que a disciplina de Sarah não deformava suas personalidades – talvez porque um aspecto importante de sua vida disciplinada era, como Samuel Hopkins escreveu, orar “por [seus filhos] de modo determinado e constante, e os levar em seu coração, diante de Deus… e isto mesmo antes de nascerem”.24
A AMPLA ESFERA DE INFLUÊNCIA DE SARAH
Sarah não era somente esposa, mãe e anfitriã; ela, além disso, sentia-se espiritualmente responsável por aqueles que entravam em sua casa. Uma grande fila de jovens pastores apresentava-se à porta de sua casa, ao longo dos anos, na esperança de viver com eles e absorver a experiência de Jonathan. Por esse motivo, Samuel Hopkins morou com eles e teve a oportunidade de observar a família. Em dezembro de 1741, ele chegou à casa dos Edwards. Aqui está o seu relato das boas-vindas que recebeu:
Quando cheguei, o senhor Edwards não estava em casa, mas fui acolhido com grande gentileza pela senhora Edwards, juntamente com a família, e recebi o encorajamento de que poderia ficar ali durante o inverno… Eu era um tanto melancólico e a maior parte do tempo ficava retirado em meus aposentos. Depois de alguns dias, a senhora Edwards veio… e disse que eu me tornara membro da família por uma temporada e, por isso, estava interessada em meu bem-estar. Observara que eu parecia triste e desanimado e esperava que eu não a achasse intrometida [por causa] de seu desejo de saber e de perguntar-me por que me sentia assim… E eu lhe disse… que estava num estado desesperador, longe de Cristo… e nisto iniciamos uma conversa franca… e ela me disse que havia [orado] a meu respeito desde que eu entrara na família; que confiava que eu receberia luz e conforto e que, sem dúvida, Deus ainda faria grandes coisas através de mim.28
Sarah tinha sete filhos nessa época – entre um ano e meio e treze anos de idade – e, ainda assim, tomou este homem sob seus cuidados e o encorajou. Ele recordou disso por toda a sua vida.
A CRISE ESPIRITUAL DE SARAH
Jonathan Edwards teve um papel chave no Grande Despertamento, o avivamento que atingiu todas as colônias.
Em janeiro de 1742, durante este período de avivamento público e tensão pessoal, Sarah passou por uma crise, que mais tarde relatou a Jonathan. Ela contou sua experiência e Jonathan a transcreveu. Publicou-a em Some Thoughts Concerning the Present Revival of Religion (Pensamentos a Respeito do Presente Avivamento da Religião).33 Para preservar a privacidade dela, ele não revelou o nome nem o sexo do protagonista.
A alma habitava nas alturas, estava perdida em Deus e parecia quase sair do corpo. A mente desfrutava de um deleite puro que a alimentava e satisfazia; tendo prazer sem o menor incômodo ou qualquer interrupção…
[Havia] extraordinárias visões das coisas divinas e sentimentos religiosos, acompanhados frequentemente de grandes efeitos no corpo. A condição humana sucumbia ao peso das descobertas divinas e o vigor do corpo desapareceu. A pessoa não tinha capacidade de permanecer de pé ou falar. Às vezes, as mãos ficavam travadas, o corpo frio, mas os sentidos ainda continuavam. A natureza física estava em grande emoção e agitação e a alma ficava tão dominada por admiração e um tipo de alegria incontrolada, que levava a pessoa a pular com toda a sua força, com regozijo e intensa exultação…34
Os pensamentos de humildade perfeita, com os quais os santos adoram a Deus no céu e se prostram diante do seu trono, venciam frequentemente o corpo, deixando-o em grande agitação. 35
Não devemos imaginar que ela estava retraída e sozinha durante este período de duas semanas, ou que cada minuto era marcado por este êxtase. Jonathan estava ausente de casa, exceto nos dois primeiros dias. Então, ela ficou responsável pela casa – cuidar das sete crianças, dos hóspedes e frequentar as reuniões na igreja. Talvez, naquele momento ninguém compreendesse como Deus a abalava e transformava, quando ela estava sozinha com Ele. Isto aconteceu somente um mês após Samuel Hopkins ter se mudado para a casa dos Edwards; portanto, as impressões dele sobre a família foram moldadas em meio aos dias mais transformadores da vida de Sarah.
Tensões a respeito de finanças, aflição por ter irritado o marido, ciúmes por causa de outro ministro – tudo isso era real na vida de Sarah. E Deus usou estas coisas para revelar-Se a Sarah, para mostrar-lhe o quanto precisava dEle e para revelar a fraqueza dela. E quando vieram sobre ela as sensações quase físicas da presença de Deus, Ele era o mais precioso e amável para ela, por causa do que Ele fez e venceu por ela.
Sua vida transformada levava as marcas de Deus, e não de um desequilíbrio psicológico. É evidente que Jonathan concordava com ela na crença de que ela havia tido um encontro com Deus:
Se tais coisas são entusiasmo e frutos de uma perturbação mental, que a minha mente seja sempre mais possuidora de tão feliz perturbação! Se isto for loucura, oro a Deus para que a humanidade do mundo inteiro seja capturada por esta afável, branda, benéfica, beatífica e gloriosa loucura!45
O DESERTO
Após mais de vinte anos de ministério, Jonathan foi injustamente exonerado de sua igreja em Northampton. Até que ele tivesse novo cargo, permaneceram em Northampton. Não é necessário muito esforço para termos empatia com a pressão financeira e emocional em que Sarah vivia. Já seria um grande desafio permanecer no lugar onde seu marido fora rejeitado. Mas, além disso, não havia sustento. E, durante um ano, Sarah viveu num cenário hostil, administrando sua ampla responsabilidade doméstica sem uma quantia fixa para o sustento.
Em Stockbridge, havia uma comunidade de índios e alguns poucos brancos. Eles procuravam com urgência por um pastor, ao mesmo tempo em que Jonathan buscava de Deus o próximo passo para sua vida. Em 1750, os Edwards mudaram-se para Stockbridge, ao lado oeste de Massachusetts, nos limites do domínio britânico no continente.
ÚLTIMO CAPÍTULO
Uma tragédia na família foi a página de abertura do último capítulo de suas vidas.
A filha de Sarah e Jonathan, Esther, era esposa de Aaron Burr, o presidente do Colégio de Nova Jérsei, que mais tarde veio a se chamar Princeton. Em 24 de setembro de 1757, este genro morreu repentinamente, deixando Esther com duas crianças pequenas.
A morte de Aaron Burr deixou em aberto a presidência do Colégio de Nova Jérsei; e Edwards foi convidado a tornar-se presidente da escola. Jonathan se mostrava extremamente produtivo em seus pensamentos e escritos, durante os seis anos que passou em Stockbridge; portanto, não foi fácil deixar aquele lugar. Contudo, em janeiro de 1758, ele partiu para Princeton, esperando que sua família fosse ao seu encontro, na primavera.
Logo que Jonathan chegou a Princeton, foi vacinado contra rubéola. Este era ainda um procedimento experimental. Ele contraiu a doença e morreu, em 22 de março de 1758, enquanto Sarah ainda estava em Stockbridge, na atividade de fazer as malas da família para a mudança para Princeton. Menos de três meses se passaram, desde que Jonathan despedira-se dela, na frente da casa. Durante os últimos minutos de sua vida, seus pensamentos e palavras foram para sua amada esposa. Ele sussurrou a uma de suas filhas:
Parece-me ser a vontade do Senhor que eu vos deixe em breve; por isso, transmita o meu amor mais sincero à minha querida esposa, e diga-lhe que a união incomum, que tanto tempo houve entre nós, foi de tal natureza, que creio ser espiritual, e que, portanto, continuará para sempre: e espero que ela encontre suporte sob tão grande tribulação e submeta-se alegremente à vontade de Deus.51
Em outubro, Sarah estava viajando para Stockbridge com as crianças de Esther. Ao fazer uma parada na casa de alguns amigos, foi acometida de uma disenteria, e sua vida na terra chegou ao fim, em 2 de outubro de 1758, quando tinha quarenta e nove anos. As pessoas que estavam com ela relataram que “ela entendeu que sua morte estava próxima, quando expressou sua inteira resignação a Deus e seu desejo de que Ele fosse glorificado até o fim; e continuou com uma disposição calma e resignada, até que morreu”.54
A morte de Sarah Edwards foi a quinta morte na família dentro de um ano, e o quarto túmulo da família Edwards acrescentado ao Cemitério de Princeton durante aquele ano fatídico, que marcou o fim das vidas terrenas de Jonathan e Sarah Edwards.
Depois de mais de 250 anos, Jonathan Edwards ainda é o maior teólogo da América do Norte e provavelmente o maior filósofo. Ele influenciou nosso modo de entender o mundo e de ver a Deus. É claro que isto nos deixa curiosos a respeito da esposa dele. Como Sarah poderia saber que dom estava nos concedendo, ao deixar Jonathan livre para cumprir seu chamado?
NOTAS DO CAPÍTULO 1
1 Citado no livro de Elisabeth D. Dodds, Marriage to a dif icult man: the uncommon union of Jonathan and Sarah Edwards. Laurel, Miss.: Audubon Press, 2003. p. 15. Devo a possibilidade de escrever esta curta biografia a respeito de Sarah Edwards especialmente ao livro de Dodds. Conheço esta obra há muito tempo e é possível que, às vezes, possa ter incluído algum de seus pensamentos sem citar as devidas notas de rodapé. Percebo que há imperfeições na apresentação de Dodds. Portanto, recomendo que os leitores interessados em uma cronologia mais criteriosa, uma compreensão e interpretação teológica do homem que moldou a vida de Sarah e que por ela foi afetado consultem Jonathan Edwards: a life, escrito por George Marsden, e Jonathan Edwards: a new biography, escrito por Iain Murray.
2 Citado no livro de Dodds, Marriage to a dif icult man. p. 17.
3 Murray, Iain H. Jonathan Edwards: a new biography. Edinburgh, Scotland: Banner of Truth, 1987. p. 91.
4 Idem. p. 92.
9 Idem (ênfase acrescentada).
12 Idem. p. 25.
13 Marsden, George. Jonathan Edwards. p. 111
15 Dodds, Elisabeth. Marriage to a dif icult man. p. 57.
16 Idem. p. 31.
17 Idem. p. 29-30 (ênfase acrescentada).
20 Dodds, Elisabeth. Marriage to a dif icult man. p. 31-32.
22 Citado no livro de Marsden, George. Jonathan Edwards. P. 323.
23 Citado por Dodds, Elisabeth. Em Marriage to a dif icult man. p. 35-36.
24 Idem. p. 37.
28 Idem. p. 50.
34 Edwards, Jonathan. Some thoughts concerning the present revival in New England. In: Hickman, Edward.
Ed. The works of Jonathan Edwards. 2 vol. Reimpressão de 1834. Edinburgh: Banner of Truth, 1974. p. 376.
35 Idem. p. 377.
45 Edwards, Jonathan. Thoughts on the revival. p. 378.
51 Dwight, Sereno E. “Memoirs of Jonathan Edwards”, em Edwards, Works, 1:clxxviii.
54 Dodds, Elisabeth. Marriage to a dif icult man. p. 169.
Fonte: Fragmentos extraídos do Livro “Mulheres Fiéis e o seu Deus Maravilho”(páginas 11-29) de autoria de Noël Piper.

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