INDICAÇÃO DE LEITURA: O BARQUEIRO DE DOVER – MÁRCIO SILVEIRA

Atualmente temos a Bíblia, a palavra revelada de Deus, ao nosso alcance em diferentes traduções e formatos, onde podemos ler no nosso próprio idioma. Segundo a Sociedade Bíblica do Brasil, no ano de 2020 a Bíblia foi traduzida, de forma completa, em 700 línguas dentre as sete mil faladas pelo mundo. Pouco mais de 5 bilhões de pessoas (mais ou menos 80% da população mundial) agora têm toda a Bíblia traduzida no seu próprio idioma.[1]

Mas nem sempre foi assim. Nesse romance histórico, o autor Márcio Silveira, escritor de ficção cristã e militar da Marinha no Brasil, nos presenteia com uma cativante história que nos ajuda a saber mais do longo e difícil processo da tradução e distribuição da Bíblia Sagrada para os falantes da língua inglesa.

A narrativa inicia-se no condado de Cambridgeshire, Inglaterra, no ano de 1525, período em que o rei Henrique VIII, juntamente com a igreja Católica Romana, decidia os rumos do país, inclusive, no tocante às traduções da Escritura Sagrada. A autoridade católica proibia, de forma severa, que qualquer pessoa tivesse acesso a Escritura em sua própria linguagem. Segundo eles, as pessoas simples não possuíam capacidades cognitivas e espirituais para compreender a Bíblia, fazendo-se necessário a interpretação papal do livro.

Mas as interpretações eram realizadas de forma que fossem convenientes para a Igreja Católica e usadas para fins políticos e financeiros.

Nesse cenário conhecemos o nosso protagonista, o generoso cristão Nathan Inghan, nascido na cidade de Colchester, Essex, mas residia em Hatfield, onde lecionava grego e latim em um seminário em Walthan. Seu pai, o velho Liam, que vivia um pouco distante do filho, na cidade de Dover, um dos barqueiros da região, era um pescador simples e humilde, o que permitiu que Natham conhecesse os barcos e que adquirisse um conhecimento sobre o mar e alguns de seus segredos. Esse entendimento lhe seria de grande proveito para que pudesse espalhar a mensagem da cruz aos que ainda não possuíam acesso ao evangelho da graça.

Ao ter em mãos, através de um grande amigo, as Bíblias impressas e traduzidas do grego para a língua inglesa, resultado de um trabalho maravilhosos de Willian Tyndale[2], decidiu que iria distribui-las, de forma clandestina, para todos que não tinham condições de possuir uma Bíblia traduzida para a língua inglesa..

Com o auxílio de alguns amigos, entre eles, monges, padres, seu pai, sua amada esposa e de um barco, Nathan vive para o qual foi chamado: enfrentar a fúria dos inimigos de Cristo e distribuir a Bíblia traduzida para todos aqueles que tinham fome e sede da Palavra de Deus.

É uma narrativa que surpreende em cada página, pois os desafios para cumprir esse chamado, transportar as Bíblias traduzidas, foram difíceis de suportar e se não fosse a graça de Deus na vida de todos os envolvidos, seria impossível. Mesmo sendo obrigado a passar por mortes, privações, pobreza e traições, nada abalou o nosso protagonista.

É um livro que nos ensina a confiar em Deus diante de quaisquer circunstâncias. Os problemas enfrentados por Nathan, a forma com que enxergou cada um deles, é um exemplo a ser imitado, pois ensina a orar sempre, confiar e adorar a Deus em todo momento.

O livro é composto por cinco capítulos, todos intitulados com as cinco solas que são as proposições teológicas que sintetizam os pilares da Reforma Protestante: Sola Fide (capítulo I), Soli Deo Glória (capítulo II), Solus Christus (capítulo III), Sola Gratia (capítulo IV) e Sola Scriptura (capítulo V). São os conceitos da teologia reformada em oposição à teologia católica. Como o livro trata dos horríveis feitos do catolicismo romano para que a palavra de Deus não fosse espalhada, os títulos são propícios e insinuativos.

Além de discorrer sobre a perseguição papal, a história também chama a atenção por abordar outros assuntos pertinentes: a situação que a igreja já enfrentava para cumprir o IDE de Jesus em relação a missões, o racismo referente a cor de pele por parte da própria igreja e uma história linda de adoção.

É perceptível que Silveira fez uma minuciosa pesquisa sobre a Inglaterra no período do século XVI, pois ao ler cada página, mergulhamos nos cenários apresentados e conhecemos, através da leitura, os costumes típicos europeus.

É um livro empolgante, informativo e com surpresas em cada folha. Quem tem interesse em conhecer ou aprofundar mais sobre os caminhos da Bíblia traduzida para chegar até nós, mesmo que se passe em contextos e idiomas diferentes, os escritos desse livro só irá acrescentar.

Encerro essa indicação com as palavras de Willian Tyndale que se encontra na contracapa do livro:


[1] 700 IDIOMAS COM A BÍBLIA COMPLETA. Sociedade Bíblica do Brasil, 2020. Disponível em https://biblia.sbb.org.br/artigo/700-idiomas-com-a-biblia-completa. Acesso em 22 de mar. 2023.

[2] William Tyndale (c. 1494–1536) fez uma enorme contribuição para a Reforma na Inglaterra. Muitos diriam que ele contribuiu ao traduzir a Bíblia para o inglês e supervisionar sua publicação. Tyndale foi executado em 6 de outubro de 1536. Foi estrangulado, queimado e seu corpo explodido por pólvora, mas em algum momento antes de sua morte, gritou suas famosas últimas palavras: “Senhor, abra os olhos do rei da Inglaterra.” Disponível em:  https://pt.ligonier.org/artigos/o-principe-dos-tradutores-william-tyndale/ . Acesso em 21 de mar. De 2023.




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