SÉRIE: MULHERES CRISTÃS CORAJOSAS – CONHEÇA A HISTÓRIA DE MARY JONES

O que você faria para conseguir uma Bíblia?

A Bíblia é a Geografia da alma.

AB.  Langston

A Bíblia é o livro mais lindo e lido do mundo, é a carta que Deus deixou para nós. Presentemente, é comum os cristãos possuírem várias Bíblias em diferentes versões de linguagens e formatos. Atualmente, pela graça de Deus, é muito fácil adquirir uma Bíblia e muitos distribuem-na de forma gratuita. Mas nem sempre foi assim.

Há duzentos anos, uma menina (sim, apenas uma menina) residia no País de Gales[1] sabia disso muito bem, pois a Bíblia galesa era escassa em sua região.

Estamos falando de Mary Jones (16 de dezembro de 1784 – 28 de dezembro de 1864): ela morava em uma pequena vila chamada Alan, o pai era um vendedor de tecidos e a mãe dona de casa, não sabiam ler e nunca tinham tido um livro em casa. Pais cristãos, calvinistas-metodistas piedosos, Mary admirava-os de forma profunda pelo exemplo de vida cristã que demonstravam e foram a sua inspiração para que professasse sua fé pública aos oito anos de idade.

Em 1792, logo após a sua confissão, ainda criança, Mary Jones começou a acalentar um sonho: Possuir a sua própria Bíblia. Ela fez uma promessa a si mesma que um dia teria esse tesouro tão especial. Mas antes precisou primeiro vencer alguns obstáculos.

1° obstáculo: aprender a ler

Como poderia fazer uso desse livro, ler as histórias que ouvia nos sermões através do pastor da igreja se não sabia ler? Infelizmente, ainda não havia escola na comunidade em que residia. Quando completou dez anos, a menina viu surgir a tão sonhada oportunidade: o pai soube que em uma vila não muito distante de onde viviam, abriria uma escola primária. Quando começou a receber alunos, Mary foi uma das primeiras crianças a se matricular.

Como era muito esforçada em tudo o que se propunha a fazer, logo se tornou uns dos destaques da classe e aprendeu a ler muito rápido. A primeira barreira fora vencida.

2° Obstáculo: juntar a quantia necessária

Agora que já sabia ler e, muito bem, a grande dificuldade era conseguir dinheiro para comprá-la. Os pais de Mary eram muito pobres e a Bíblia, devido a sua escassez, era muito cara. Para conseguir o dinheiro, começou a fazer pequenos serviços: pegava lenha na mata para idosos, cuidava de crianças, passou a criar galinhas e vendia os ovos. Mesmo depois de um ano, infelizmente, ainda não dispunha da quantia suficiente.

No segundo ano aprendeu a costurar e guardou um montante maior, mas ainda não era um valor satisfatório. No terceiro ano o pai ficou doente e não pôde trabalhar por algum tempo e as economias que Mary havia juntado com tanto esforço, ficou para o sustento da família. Mas ainda assim, continuou trabalhando até que no final do quarto ano conseguiu guardar o valor necessário.

3° Obstáculo: encontrar alguém com exemplares disponíveis

Mary, as essas alturas, já havia completado 15 anos. Agora que já sabia ler e que havia trabalhado arduamente para obter a importância de que precisava, a questão era: onde poderia comprá-la?

O pastor de sua igreja informou-lhe que não era possível comprar Bíblias em Alan ou nas vilas próximas. Só conseguiria encontrar um exemplar em uma cidade chamada Bala, que ficava a 40 quilômetros dali. Naquela cidade, morava o Reverendo Thomas Charles que geralmente possuía algumas Bíblias para quem desejasse adquirir.

Tendo economizado por seis anos até possuir dinheiro suficiente para pagar por uma cópia, Mary não pensou duas vezes e pediu a seus pais que a deixassem ir à cidade de Bala para comprar o seu tão sonhado livro. A permissão fora concedida e a longa viagem de Mary Jones foi realizada a pé, e para que os seus sapatos não ficassem muito desgastados para quando chegasse na cidade e pudesse usá-los, fez todo o trajeto descalça.

Depois de um dia de caminhada de 40 km, ao anoitecer, Mary chegou à casa do Rev. Thomas Charles.

4° Obstáculo: justamente naquele dia, o reverendo não possuía consigo nenhum exemplar

Imagine a tristeza dessa mocinha! De acordo com uma versão da história, o Sr. Charles disse a ela que todas as Bíblias que havia recebido, infelizmente, já estavam vendidas. Mary ficou tão perturbada que Charles entregou a ela uma das cópias que estava guardando para outra pessoa. Em outra versão, ela teve que esperar dois dias pela chegada de mais Bíblias e conseguiu comprar uma cópia para si e mais duas para membros de sua família.

Essa menina corajosa, determinada e de muita fé, cresceu, casou-se, formou uma linda família e faleceu em 1864. Ao que tudo indica, seus restos mortais estão sepultados na Capela Calvinista Metodista de Bryn-Crug, no interior da Inglaterra.

A Bíblia conquistada, depois de muito esforço por Mary, está disponível na Biblioteca da Universidade de Cambridge e uma segunda cópia na Biblioteca Nacional de Wales, disponível para contemplação e inspiração para cristãos do mundo todo, como uma forma de valorizar esse livro que um dia foi tão parco e hoje somos privilegiados pela facilidade de encontrá-lo em nosso dia a dia. É um presente.

A saga de Mary para adquirir o livro mais importante da história havia terminado, mas graças a ela, outra estava começando. O Reverendo Thomas Charles ficou impressionado com a história da menina e decidiu narrar a sua experiência para os diretores da Sociedade de Folhetos Religiosos.[2]

Aqueles homens foram fortemente tocados depois de ouvirem tal história e todos concordaram que experiências como essa não deveriam mais acontecer. Inspirados por Deus, no dia 7 de dezembro, em 1804, criaram a primeira Sociedade Bíblica, que ficou amplamente conhecida como Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira.

Segundo a Sociedade Bíblica do Brasil, o envio de exemplares traduzidas para a língua portuguesa para o nosso país foi no ano de 1809,

Já em 1808, quando Dom João VI declarou o Brasil Reino Unido com Portugal e abriu os portos brasileiros para as nações amigas, esta primeira Sociedade Bíblica se movimentou para produzir Novos Testamentos em português e enviar para o Brasil. Eles chegaram no Brasil em 1809. Ainda no século XVIII, a Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira e a Sociedade Bíblica Americana abriram escritórios no Brasil para distribuir Bíblias ao povo brasileiro […]. As sementes da Palavra de Deus foram plantadas e encontraram terreno fértil por aqui.[3]

Trabalharam desse modo até que no ano de 1946, as duas Sociedades Bíblicas decidiram unir os escritórios com um novo nome: Sociedades Bíblias Unidas. Depois de algumas reuniões com várias igrejas da época, em 10 de junho de 1948, na cidade do Rio de Janeiro, fundaram a Sociedade Bíblica do Brasil.

Que o nosso coração, assim como o da menina Mary, continue sendo uma terra fértil para receber e amar a palavra de Deus. A Bíblia é a voz de Deus manifestada através dela.


[1] O País de Gales ou simplesmente Gales é um país constituinte do Reino Unido. Faz fronteira com a Inglaterra a leste, com o Mar da Irlanda ao norte e a oeste, e com o Canal de Bristol ao sul.

[2] entidade cristão local.

[3] Disponível em: https://biblia.sbb.org.br/artigo/um-pouco-de-historia-a-biblia-no-brasil. Acesso em: 01 de jan. 2023.

Referência Bibliográfica

A Bíblia de Mary Jones: o início do movimento das Sociedades Bíblicas. Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2009.

Você pode ler a história completa ao adquirir o formato eBook Kindle pelo link na Amazon: https://www.amazon.com.br/hist%C3%B3ria-Mary-Jones-movimento-Sociedades-ebook/dp/B01D20CVA6


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