Se olho para mim, me deprimo. Quando olho para os outros, me iludo. Quando olho para as circunstâncias, me desencorajo. Mas quando olho para Cristo me completo.
Steven Lawson
Contemplo a verdadeira beleza
“Dai ao SENHOR a glória devida ao seu nome; adorai o SENHOR na beleza da sua santidade” (Salmos 29:2).
Estou tão acostumada com a beleza terrena, vã e passageira que esqueço de dar glória a Deus e adorá-lo em toda a sua majestade. O Senhor contém toda a santidade em si, é simplesmente belo.
Nunca vi a sua forma e face, mas cada parte do meu ser está ciente que não há alguém mais lindo e esplêndido que Deus. A Bíblia oferece apenas um vislumbre da beleza do Criador. O mais exímio artista, seja ele escultor, escritor ou pintor não conseguiria exprimir a beleza de Deus em sua arte.
Quando olho para Deus, mesmo sem vê-lo fisicamente, vejo que a beleza que contemplo aqui não se compara com a dele. E ao apreciar a sua santidade, nasce em mim o desejo de ser santa; Deus contém toda a pureza e quando rogo um pouco dessa pureza, me concede com alegria sem ficar faltando nele.
Que o pecado não me cegue para que eu contemple a beleza de Deus. Não posso acostumar-me com o que é oferecido aqui e achar que é admirável; o que o mundo me oferece não se compara com o que o Senhor preparou para mim.
Olho para o que verdadeiramente importa
“Desvia os meus olhos das coisas inúteis; faze-me viver nos caminhos que traçaste” (Salmos 119:37).
Importo-me com acontecimentos sem importância. Por vezes, penso que aqui é o meu lar permanente e coisas que eram para ser insignificantes tornam-se formidáveis.
Vejo ocupações inúteis e delas faço o meu “deus”. Ao agir dessa forma, pego outros caminhos através de atalhos e sei que eles não me levam para o objetivo maior. Me perco em minhas vontades, no meu ego e achismos sem conta até que me encontro totalmente perdida: episódios inúteis levam para caminhos inúteis.
Mas quando olho para Deus, ele me leva a uma vereda que traçou para mim. Não importa o quão estreita seja, pois nenhuma passagem larga e de fácil acesso que não tenha sido preparada por ele poderá me trazer a satisfação de andar por um caminho que o Senhor mesmo preparou.
A jornada não é fácil. Mas é a única em que posso desejar, pois o Senhor caminha comigo e segura a minha mão quando tropeço. Ao olhar para ele, estou olhando, na verdade, para um Caminho de excelência em verdadeira adoração até chegar ao trajeto final. É inútil olhar para frente sem antes olhar para o Deus.
Livro-me de armadilhas
“Os meus olhos estão sempre voltados para o Senhor, pois só ele tira os meus pés da armadilha” (Salmos 25:15).
O diabo é mestre em criar estratégias para os servos de Deus. O termo “estratégia” refere-se à ciência de comando de general ou liderar um exército. É um termo que engloba tudo, mas pode também ser usado com relação a planos ou armadilhas específicas para uma campanha ou guerra [1].
O mundo pode estar em constante guerra lá fora, mas eu enfrento uma batalha diariamente dentro de mim cujas armadilhas, diferente das que os soldados usam, são invisíveis. As estratégias e ciladas escapam ao meu olhar físico e se não estou firmada em Deus podem fazer estragos profundos e bem visíveis.
Muitos perdem a batalha porque lutam com a própria força, olham para as suas armas falíveis e insignificantes e não para Deus. Tenho tendências individualistas, desejo mostrar, seja lá para quem for, do que sou capaz e que consigo vencer minhas próprias batalhas. Geralmente estou disposta a auxiliar o meu próximo e mostrar que sei o significado de unidade, mas quando é a minha vez de pedir ajuda, rejeito essa integração.
Esta armadilha não pode mais me prender. O diabo busca, incessantemente, a separação do povo de Deus. Sou mais forte se permanecer unida nele e com os meus irmãos.
Fico mais humilde
Sei o significado da palavra humildade, mas dificilmente sou humilde. Na Bíblia, a palavra humildade e suas derivações (humildemente, humilhado, humilhação etc.) aparecem mais de 70 vezes. O grande uso dessa palavra em toda a Escritura serve para me mostrar o quão é importante ela deve ser para mim.
A Bíblia define a humildade como mansidão (Efésios 4:2); baixeza (Lucas 14:11) e ausência de si mesmo (Romanos 12:13). São definições difíceis de engolir. O mundo, por vezes, me ensina a agir de modo oposto: a não permitir que seja humilhada; a não me rebaixar, pois tenho valor; a colocar, em primeiro lugar, as minhas necessidades e depois a do outro. São tempos difíceis, pois o mundo me aconselha a olhar para mim e não para Cristo.
Quando olho para Cristo, tenho vontade de fazer a sua vontade e não a minha. E um dos anseios dele para mim é que eu cultive a humildade. Mas tenho que tomar cuidado! Não me deixar seduzir por uma falsa submissão, pois nem sempre quando apresento uma humildade exterior significa que eu a esteja praticando. Tal atitude tem que vir do coração e este totalmente voltado para Cristo.
Jesus Cristo é o maior exemplo de humildade que há:
“Ninguém te disse para seres menos do que és, mas para te reconheceres como és. Reconhece-te como débil e pecador. Aceitando e confessando teus erros, obténs o certificado de associação ao próprio Cristo.”
(Sermão de Santo Agostinho 137, 4,4)
Minha escama espiritual é removida
Tenho a tendência de inchar o meu ego por acreditar que sou digna do amor do Pai. Que tudo o que faço tem que ser digno de elogios e reconhecimento e muitas vezes ajo como os fariseus e mestres da Lei tentando mostrar a Jesus o quão espiritual eu sou.
Quando olho verdadeiramente para Cristo, vejo que não é bem assim. Os grupos religiosos da época de Jesus rejeitaram um olhar sobre a sua messianidade, se mergulho em uma religiosidade sem Cristo estarei fadada a perdição.
Quando tenho algum orgulho espiritual, ao olhar para Cristo, ele me faz enxergar como verdadeiramente sou; se a vaidade tenta me esconder de sua santa presença, ao olhá-lo, me encontro segura outra vez; quando uma falsa modéstia me atrai, o Senhor leva-me de volta para o que é verdadeiro. Se me coloco no lugar mais alto para aproximar-me dele, me faz dobrar os joelhos novamente para vê-lo mais e melhor.
Tudo isso quando não busco os meus próprios interesses e sou atraída por ele e para ele.
O olhar de Cristo
“Poderá alguém esconder-se sem que eu o veja?”, pergunta o Senhor. “Não sou eu aquele que enche os céus e a terra?”, pergunta o Senhor” (Jeremias 23:24).
A criação não pode ocultar-se perante a presença de Deus. Nada passa desapercebido de seus olhos: até mesmo um corpúsculo não está escondido diante dele… por que meu coração estaria? Se ele preenche todo o universo, preenche ainda mais a minha mente e o meu cerne.
O meu coração se alegra em saber que Cristo me vê. Sinceramente, não me importa se é um olhar de repreensão desde que não desvie de mim o seu zelo.
Apesar dos meus defeitos, me ama e assim como olhou para Pedro de forma graciosa e perdoadora, quando ele negou que não o conhecia, esse mesmo olhar é lançado para mim quando também finjo que não o conheço e isso sem precisar dizer uma única palavra! Se lanço um olhar de negação, recebo de volta um olhar de perdão.
O olhar de Cristo me faz enxergar como verdadeiramente sou: uma pecadora que necessita desesperadamente de um Salvador e na morte de Jesus na cruz, encontrei a remissão de quem poderia me olhar sob um jugo de acusação, mas me enxergou com amor e me salvou.
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Referência Bibliográfica
BEEKE, Joel R. Lutando contra Satanás: conhecendo suas fraquezas, estratégias e derrota. Campina Grande, PB: Visão Cristã, 2018, p. 93-103.

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