A atitude de um homem contribuiu e desencadeou a maior revolução que se pode vivenciar: a descoberta de um Deus que tinha o poder para libertar uma nação, derrotar exércitos, abrir mares, transformar um povo, e também poderia nos conceder redenção e vitória (P.6).
A palavra “eunuco” na Bíblia geralmente traduz um termo hebraico e outro grego. No Antigo Testamento, eunuco traduz a palavra hebraica saris e significa “oficial”. Alguns intérpretes consideram que o termo tenha alguma ligação com uma expressão assíria que significa “aquele que é cabeça para o rei”. Seja como for, o sentido principal da palavra saris, traduzida como eunuco, é “oficial da corte”. Contudo, também há um sentido segundo em que o termo é aplicado: “castrado”. Esse é o significado mais popular para a palavra “eunuco”.
Quando se fala de eunucos na Bíblia, é inevitável vir à nossa mente o eunuco que é citado no livro de Atos dos Apóstolos (8:26-40), o qual se converteu sob o ministério de Filipe, o Evangelista. Ele possuía uma posição de influência na corte da Etiópia, ou seja, era um alto oficial (grego dynastes).
Tendo em mente esse personagem bíblico, o autor Mário Silveira, que além de escritor, serviu à Marinha do Brasil por mais de trinta anos e atualmente leciona a disciplina de geografia, criou um enredo emocionante com o etíope de Atos.
O relato bíblico nos informa que, enquanto ele voltava à sua terra, lia o livro do Profeta Isaías, no capítulo 53. Filipe o encontrou no caminho, pregou o Evangelho a ele e, após sua pronta aceitação, batizou-o em um local próximo ao caminho em que estavam. Após o batismo, Filipe foi tomado pelo Espírito do Senhor e o eunuco não o viu mais, porém continuou seu caminho com grande alegria.
Antes de chegarmos a esse ponto da narrativa descrito na Bíblia, nessa ficção histórica, o nosso etíope ganha um nome: Awash. A história é contada por alguém que vivenciou todos os acontecimentos que ocorreram em Axum, uma das cidades do norte da Etiópia, liderada pela sábia rainha Shebele.
Com as minúcias apresentadas do cenário, é possível visualizarmos as paisagens, ter uma ideia dos aromas e das belezas do palácio e do jardim. Tudo é descrito para um leitor ávido por detalhes.
O reino era governado com justiça, até que o trono foi usurpado pela própria irmã da rainha, Dawa, que foi capaz das maiores atrocidades para tomar o lugar ao trono.
Ao fazê-lo, o reino transformou-se em um dos piores lugares para se viver na Terra. Todos os colaboradores da antiga rainha, que fora assassinada, foram mortos, torturados e exilados. Apenas alguns conseguiram fugir e entre eles, Awash. O autor nos apresenta o protagonista, prestes a nascer, como filho de uma grande amiga da rainha Shebele, e o pai era o chefe da segurança do palácio, Ganale Dorya, que é apresentado como um homem forte, leal e fiel escudeiro da antiga rainha.
Graças a esse corajoso homem, a sua família e a princesa, filha da rainha, foram salvos. Mas não por muito tempo.
O que se passa no exílio e pós-exílio com essa família, é de deixar qualquer leitor prendendo a respiração em cada página, pois os acontecimentos são realmente imprevisíveis e de partir o coração. A maneira e os motivos em como AWash torna-se eunuco é igualmente triste. Mas ainda assim, ele, que já sabia através de um amigo, da existência de um certo Deus Criador dos céus e da terra, mesmo que ainda não soubesse de fato quem ele era, colocou a sua confiança nele e isso o sustentou em toda a sua trajetória.
Silveira conseguiu, em uma única narrativa, colocar elementos que faz desse livro uma leitura emocionante e inspiradora: aventuras, batalhas, amor, perdão e evangelho.
A mensagem do perdão é intrínseca em todo o livro e faz com que pensemos em nossas próprias atitudes para com o próximo. É uma leitura mais que recomendada para quem gosta de surpresas e aprecia Deus em cada detalhe.
O maior milagre que pode acontecer ao homem é ser curado da sua ganância e egoísmo. Estudem e se dediquem e que Deus os abençoe grandemente (P. 231).
Livro: O Eunuco
Autor: Mário Silveira
Editora: Mais UmLivro
Páginas: 231

Deixe um comentário.