INDICAÇÃO DE LIVRO: DEUS, O ESTILISTA – JEFF POLLARD

O Padrão Bíblico para a Modéstia Cristã

Houve um tempo em que os cristãos se vestiam de maneira simples, modesta e discreta. A maneira correta de se vestir não era motivo para longos debates e discordâncias. A sociedade mudou e a igreja acompanhou esta transmutação e, em muitos aspectos, transformou-se com ela. As roupas que o digam!

No livro Deus, O Estilista, que foi publicado nos EUA em 2003 e chegou no Brasil pela em 2006, Jeff Pollard expressa sua preocupação sobre como os cristãos enxergam a modéstia, especialmente em relação aos trajes de banho.

Temos realmente prestado atenção a esse assunto? Qual é a visão bíblica a respeito? É um livro breve, mas que discute assuntos que merece a atenção de todo cristão que realmente deseja agradar a Deus.

CAPÍTULO 1

Modéstia e controvérsia

No primeiro capítulo, o menor de todos, Jeff ressalta que abordar o tema modéstia é um assunto controverso. Seja qual for a didática utilizada, a pessoa pode ser considerada pelos seus ouvintes um legalista ou um libertário. É inevitável.

Discorrer contra a moda atual e as tendências populares é difícil e envolve um custo elevado para o servo de Deus. Além disso, todo cristão tem um chamado para seguir um curso de vida que conduza a confrontar, através da Bíblia, a maneira de pensar e o comportamento mundano.

CAPÍTULO 2

Definindo os termos

A modéstia tem um conceito amplo, não limitado à conotação sexual; é um estado de mente. O autor destaca três pontos sobre o tema baseando-se em 1Timóteo 2.9: “Da mesma sorte, que as mulheres, em traje decente, se ataviem com modéstia e bom senso.”

Decente: essa palavra traduzida do grego significarespeitável” e “honrável.” Quando usada referindo-se a mulher, como neste versículo, quer dizer “modesto”.[2]

Com modéstia: de acordo com Knight[3], denota um “estado de mente ou atitude necessária com a qual alguém deve se preocupar e, como resultado, vestir-se com comedimento.” A modéstia não deseja exibir-se.

Bom senso: entre seus significados, “o sentido geral de bom discernimento, moderação, autocontrole, que, ao ser visto nas mulheres, é entendido como decência, castidade.”[4] Resumindo: é o domínio sobre o corpo; modéstia é uma expressão usada somente neste versículo, em todo o Novo Testamento, e tem a conotação de recato feminino em questões sexuais, assim como a segunda expressão.

Essas ideias são evidentes no pensamento de Paulo que proibiu o excesso e a sensualidade, mas não é manifestado nos discursos da maioria que ensina esse versículo atualmente.

CAPÍTULO 3

Deus, o estilista

Nesse capítulo, Jeff faz com que recordermos algo maravilhoso e belo: Deus não somente é um estilista de nossa roupa física, mas também da nossa veste de justiça! Ele enroupou, em um primeiro momento, com roupas de couro o primeiro casal e, posteriormente, com o sangue de Jesus para livrar a humanidade de todo o pecado.

O autor esclarece alguns pontos sobre as indumentárias:

  • Nossos primeiros pais viviam nus;
  • Deus nos deu roupas (a cobertura Graciosa);
  • Deus outorgou as vestes sacerdotais;
  • O Senhor concede vestes brancas como a neve aos santos no livro de Apocalipse.

Em todo o capítulo, o autor enfatiza a intenção divina de cobrir, com vestimentas modestas e decentes, todo o seu povo começando por Adão e Eva. Também esclarece, utilizando a tradução dos idiomas originais, como era a vestimenta no Antigo e Novo Testamento.

Enfatiza e conclui que o modelo bíblico sugere um padrão de vestes que se estende, pelo menos, do pescoço até abaixo dos joelhos.

CAPÍTULO 4

Definindo o assunto: Nudez e vergonha

Jeff começa dizendo que antes da queda, a atração e o relacionamento sexual entre um casal não era vergonhoso e pecaminoso. Posteriormente, explana que as palavras traduzidas para nudez, tanto na tradução hebraica como na grega, estão, frequentemente, associadas com a palavra vergonha. Tornou-se um eufemismo para os órgãos genitais e muitas vezes a Bíblia relaciona o termo nudez a atos sexuais pecaminosos. Ele cita alguns exemplos como em Isaías 47.3a e Ezequiel 16.37.

É destacado também algo interessante e que passa despercebido por nós: a nudez não limita apenas à exposição das partes íntimas. Levando-se em conta que os hebreus se vestiam com duas peças de roupas, a veste inferior que cobre todo o corpo e a roupagem superior que era parecido com um blusão, se alguém, por qualquer motivo, estivesse sem essa parte superior, todos o consideravam nu.

Sendo assim, de acordo com a Bíblia, uma pessoa não precisa estar completamente sem roupa para que esteja nua. Alguns exemplos: João 21.7; Isaías 20.1-6; Isaías 47.1-3.

Jeff observou algo que chega a ser espantoso: a veste inferior de Pedro, citado no versículo acima (Jo 21.7), antigamente escondia mais do corpo que a maioria das roupas usadas atualmente, como os shorts ou calções de banho modernos!

Andar nu ou seminu eram práticas pagãs e não se via entre o povo israelita. O autor finaliza o capítulo dizendo que é obvio que quem se veste de forma atraente e proposital é igualmente pecaminoso.

CAPÍTULO 5

A nudez da sociedade

O surgimento e o progresso dos trajes de banho em nossa cultura revelam não somente grande medida de sensualidade, mas também o caráter da própria sociedade.

Para que compreendamos a transformação assustadora das vestes de praia, Pollard usa esse capítulo para narrar a história de seu surgimento e de que maneira a moda apresenta a ideia “libertadora” de uma sociedade desnuda:

As roupas de banho apareceram, aproximadamente, 350 a.C na Grécia e logo após em Roma, onde era costume banhar e nadar com certa frequência. Após a queda do Império romano, os esportes aquáticos desapareceram e só voltaram à moda por volta de 1700 na França e na Inglaterra, em que homens e mulheres vestiam apenas uma tanga. Somente no início do ano 1800, ir à praia para diversão tornou-se popular e os banhos eram separados entre os gêneros. Eles se divertiam juntos para esportes aquáticos com a tanga, mas antes disso, nadavam despidos ou com pouca roupa em grupos apartados.

Esse era o desafio da moda naquela época: fazer com que ambos nadassem juntos em todos os momentos. Ainda havia naquele tempo algum vestígio cristão em que as roupas não mostravam tanto, mas não durou muito. Com o passar do tempo a modéstia estava antiquada; modernizar e diminuir as vestes de banho foram obras deliberadas.

O autor alega, e com razão, que a perspectiva que direciona o mundo da moda é geralmente a atração sexual e não a Palavra de Deus.

Até os anos de 1890, os vestuários de banho se assemelhavam com as roupas comuns, cobriam boa parte do corpo até que passaram por uma revolução: foi mudando lentamente até chegarem no biquini em 1960, o motivo é obvio: as roupas de baixo tem um apelo erótico. O autor declara:

Os crentes têm tirado a roupa em público. A exibição das novas vestes de banho forçou a sociedade a reavaliar seu ponto de vista sobre a modéstia.

Para demonstrar tal fato, neste capítulo, Pollard criou uma excelente linha do tempo sobre a evolução das roupas de banho, o que comprovou que a cada estação diminuía ainda mais a cobertura do corpo até a nossa década atual.

Ficou claro que o propósito de despir a sociedade, pelos estilistas, era o de mudar o conceito de modéstia.

CAPÍTULO 6

O teatro da carnalidade

A praia tornou-se um lugar de batalhas e os cristãos que zelam por decência consideram-na perdida. O autor declara que as roupas de banho modernas desenvolveram nas pessoas uma dicotomia mental: “A nudez que era inaceitável nas ruas da cidade tornou-se, literalmente, a última moda na praia” (p.50).

A praia tornou-se em um teatro de erotismo. Muitos cristãos não sabem, mas homens e mulheres juntos nesse mesmo lugar era algo inconcebível e desconhecido na humanidade até meados do século XIX. Quando desejaram por vestes funcionais, a moralidade foi posta de lado.

O corpo da mulher converteu-se em objeto. O autor utilizou várias citações de alguns historiadores contemporâneos para ensejar um fato confirmado: a praia pode ser comparada a um show progressivo de striptease que possibilitou a satisfação sexual pela visão.

O autor mostra algo interessante: valendo-se de um estudo feito pela escritora Alison Lurie, autora de “A Linguagem das Roupas”[5], declarou que as roupas de banho são mais eróticas que a nudez escancarada; são vestes que escondem e revelam o corpo. Há uma outra dicotomia: alguns líderes espirituais acreditam que esse palco de nudez é legitimado para ensinar verdades das Escrituras: por que ela existe?

CAPÍTULO 7

O impacto dos meios de comunicação

O cinema tem um papel fundamental no que tange as nossas concupiscências. Ele trabalha com a mente e muitos pregadores declaram que ele é neutro e até mesmo como uma liberdade cristã. Mas há algum tempo, o cinema percebeu que a nudez vende e investiu nisso de forma dominadora.

Jeff afirma, categoricamente, que o cinema ajudou a despir a sociedade. Os modismos e as indústrias ditaram, e ainda ditam, as regras indumentárias. Exploram o corpo humano objetivando o lucro. “E a sociedade prostrou-se diante do altar e seguiu, com submissão, a moda do dia… muitas igrejas também fizeram isso” (p.60).

O autor também apontou que entre os 1920 e 1930, criou-se uma campanha para que os homens despissem o peito em público e vestissem apenas um calção. Isso claramente sugere a sensualidade. Passaram a seguir seus instintos pecaminosos à Palavra de Deus.

Muitos dos pastores que ocupam o púlpito atualmente, não veem problemas de se vestirem assim e dizem que é até um ato de liberdade. O autor compara, o que hoje é pregado com autonomia, com as perguntas 137 a 139 do Catecismo Maior da Assembleia de Westminster.

Pollard lembra algo assustador: o que homens vestem atualmente na praia era considerado exposição indecente há apenas 60 anos! Mas os crentes contemporâneos não querem que chamemos pelo nome aquilo que verdadeiramente é: depravação total.

Outro ponto importante, é que um número exorbitante de cristãos tem discipulado a si mesmos aos pés de homens efeminados, maquiados, inspirados na indústria cinematográfica e que passa grande parte do tempo em piscinas e praias. Não são mais discipulados pela palavra de Deus e nem por homens piedosos.

Muitos chegam ao ponto de declarar que Cristo morreu por essa liberdade. Somente preenchendo a nossa mente com a palavra de Deus podemos mantê-la intacta até o dia do julgamento.

CAPÍTULO 8

Velas em meio à pólvora

O capítulo começa com a afirmação de que vivemos em uma sociedade praticamente pornográfica e isso faz com que muitos pregadores concluam que as vestes de banho não são tão indecentes. Na verdade, esse pensamento pode estar permeando muitos cristãos nesse exato momento. Pensam que ao exortar as moças de sua igreja a vestirem maiôs decentes, estão ajudando-as. Ledo engano.

O autor faz uso de um anúncio de loja que vende roupas de banho para elucidar o que está argumentando: a divulgação da loja consiste em convencer as clientes a comprarem maiôs e, para auxiliá-las, há especialistas para consultarem na compra de um que valorize o corpo da mulher. Em outros anúncios dizem que “existe uma certa sensualidade branda em um maiô que não existe em um biquini.”

O livro faz qustionamentos pertinentes, como por exemplo, se ao usarem maiôs as mulheres estão, realmente, refletindo a modéstia. Ainda ressalta que, nos primeiros anos do século XX, as vestes de banho masculina e feminina ainda cobriam, de forma decente, uma parte do corpo que atualmente as mulheres fazem questão de ressaltar: a virilha. Mas não mais, muitas roupas de banho definem claramente o púbis, fazendo com que o objetivo da roupa seja outro.

O autor deixa claro que o problema não está na roupa de banho ou nas formas do corpo, mesmo porque Deus os fez e declarou muito boas. O problema é o coração pecaminoso:

Os parágrafos a seguir pode parecer desconcertantes para muitas mulheres: o autor declara e aconselha firmemente, que as mulheres têm o dever de se vestirem e se preocuparem com essa tarefa veementemente, pois os homens são orientados pela visão e, assim, as mulheres têm uma responsabilidade maior nesse quesito.

Mesmo que não seja a intenção e que a vaidade consiste por parte de quem está olhando, ainda assim, carregam a culpa por produzir a ocasião desnecessária, pois elas podem ser consideradas velas em meio à pólvora.

Com a citação do livro de Mateus, capítulo 5.27-28, o escritor recorda que os homens têm de prestar contas a Deus pela maneira como usam seus olhos, enquanto as mulheres devem ter o cuidado de não colocar pedra de tropeço diante deles.

O capítulo encerra-se com questionamentos altamente validos para reflexão: o que estamos vestindo refletem a glória de Deus?

CAPÍTULO 9

Retorno à modéstia cristã

No último capítulo do livro, há uma conclamação para que os cristãos e a igreja voltem à modéstia cristã e há um tempo em que a nudez era considerada um ato vergonhoso.

Admoesta os homens a aprenderem a dominar o coração, os olhos e a ensinar, como sacerdotes do lar, a esposa e filhos os princípios da modéstia. O autor insiste que estudemos, com profundidade, a respeito desse assunto e ora para que Deus abra os olhos de seus filhos para fazerem o que é correto. Traz também uma questão levantada por John Bunyan:

O autor mostra uma preocupação e defende que não há nada de legalismo em exortar os filhos de Deus em cobrir o corpo, pois isso é um mandamento divino. O capítulo encerra-se com alguns princípios bíblicos para reflexão de tudo o que foi exposto.


Notas:

[1]1            Noah Webster, American Dictionary of the English Language, 1828, 5a Edição (G. & C. Merriam Company, ed. reimpressa, São Francisco, Califórnia: Foundation for American Christian Education, 1987).

[2] George W. Knight, III, New International Greek Testament Commen- tary, Commentary on the Pastoral Epistles (Grand Rapids, Michigan, W. B. Eerdmans Publishing Co., 1992), p. 133.

[3] Ibid.

[4] 8 Knight, Pastoral Epistles, p. 134.

[5] Alison Lurie, The Language of Clothes, pp. 212-214.

[6] John Bunyan, The Life and Death of Mr. Badman, em The Works of John Bunyan, editado por George Offor, Vol. III (Londres, Blackie and Sons, 1875; ed. reimpressa, Grand Rapids, Michigan, Baker Book House Company, 1977), p. 645.



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