A PESSOA DE CRISTO: SUA DIVINDADE

Doutrina Bíblica (Parte 1/3)

Quatro declarações devem ser compreendidas e afirmadas a fim de se obter uma imagem completamente bíblica da pessoa de Jesus Cristo:

1. Jesus Cristo é plena e completamente divino.

2. Jesus Cristo é plena e completamente humano.

3. As naturezas divina e humana de Cristo são distintas.

4. As naturezas divina e humana de Cristo estão completamente unidas em uma pessoa.

A Divindade de Cristo

Muitas passagens da Escritura demonstram que Jesus é plena e completamente Deus:

O Entendimento de Jesus Acerca da Sua Própria Divindade

Embora as passagens citadas acima claramente ensinem a divindade de Cristo, essa verdade é frequentemente desafiada. Alguns dizem que Jesus jamais reivindicou ser Deus e que tais versículos foram escritos por seus discípulos, que o divinizaram por causa do impacto que ele causara em suas vidas. Jesus, é dito, via a si mesmo tão somente como um grande mestre moral semelhante a outros líderes religiosos. Todavia, o entendimento de Jesus acerca da sua própria divindade nos Evangelhos não dá suporte a essa perspectiva. Ele claramente via a si mesmo como Deus. Isso pode ser visto primariamente de seis maneiras.

1. Jesus ensinava com autoridade divina. Ao final do sermão do monte, “estavam as multidões maravilhadas da sua doutrina; porque ele as ensinava como quem tem autoridade e não como os escribas” (Mateus 7.28-29). Os mestres da lei no tempo de Jesus não tinham qualquer autoridade própria. A sua autoridade vinha do seu uso de autoridades anteriores. Mesmo Moisés e os demais profetas do AT não falavam por sua própria autoridade; antes, diziam: “Assim diz o Senhor”. Jesus, por outro lado, interpreta a lei dizendo: “Ouvistes o que foi dito aos antigos. […] Eu, porém, vos digo” (ver Mateus 5.22, 28, 32, 34, 39, 44). Essa autoridade divina é demonstrada com surpreendente clareza quando ele fala de si mesmo como o Senhor que julgará toda a terra e dirá aos ímpios: “Nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniquidade” (Mateus 7.23). Não é de admirar que as multidões estavam maravilhadas ante a autoridade com a qual Jesus falava. Jesus reconhecia que as suas palavras carregavam o peso divino. Ele admitia a autoridade permanente da lei e punha suas palavras no mesmo nível dela: “Porque em verdade vos digo: até que o céu e a terra passem, nem um i ou um til jamais passará da Lei, até que tudo se cumpra” (Mateus 5.18); “Passará o céu e a terra, porém as minhas palavras não passarão” (Mateus 24.35).

2. Jesus tinha um relacionamento único com Deus o Pai. Quando era um jovem menino, Jesus se assentou com os líderes religiosos no templo, maravilhando as pessoas com as respostas que dava. Quando seus pais distraídos finalmente encontraram o seu adolescente “perdido”, ele respondeu dizendo: “Por que me procuráveis? Não sabíeis que me cumpria estar na casa de meu Pai?” (Lucas 2.49). A referência de Jesus a Deus como “seu Pai” é uma declaração radical do relacionamento único, íntimo com Deus, acerca do qual ele já tinha plena consciência. Uma afirmação semelhante feita por um indivíduo não tinha precedentes na literatura judaica. Jesus ainda levou esse tratamento pessoal singular a um outro nível ao dirigir-se a Deus o Pai usando a afetuosa expressão aramaica “Abba”.

3. A maneira preferida de Jesus referir-se a si mesmo era o título Filho do Homem. A expressão “um filho de homem” podia significar simplesmente “um ser humano”. Mas Jesus referia-se a si mesmo como o Filho do Homem (sugerindo o singular, bem-conhecido Filho do Homem), o que indicava que ele via a si mesmo como o Filho do Homem messiânico de Daniel 7, o qual haveria de governar o mundo inteiro por toda a eternidade:

Jesus estabelece a sua autoridade divina como o glorioso Filho do Homem messiânico ao declarar que ele tem o poder de perdoar pecados e que é o senhor do Shabbath: “Ora, para que saibais que o Filho do Homem tem sobre a terra autoridade para perdoar pecados — disse ao paralítico: Eu te mando: Levanta-te, toma o teu leito e vai para tua casa” (Marcos 2.10-11); “E acrescentou: O sábado foi estabelecido por causa do homem, e não o homem por causa do sábado; de sorte que o Filho do Homem é senhor também do sábado” (Marcos 2.27-28).

4. O ensino de Jesus enfatizava a sua própria identidade. Jesus veio ensinando o reino de Deus, no qual ele é o Rei. O seu ensino lidava com muitos tópicos, mas era, sobretudo, acerca de si mesmo que ele ensinava. A sua pergunta aos discípulos, “Quem dizeis vós que eu sou?” (Mateus 16.15), é a questão primordial do seu ministério.

5. Jesus aceitou adoração. Talvez a mais radical demonstração da certeza de Jesus quanto à sua divindade estava no fato de que, ao ser adorado, como às vezes ele foi, ele aceitava tal adoração (Mateus 14.33; 28.9,17; João 9.38; 20.28). Se Jesus não acreditasse que ele era Deus, ele deveria ter veementemente rejeitado ser adorado, como Paulo e Barnabé fizeram em Listra (Atos 14.14-15). O fato de um judeu monoteísta como Jesus aceitar adoração de outros judeus monoteístas mostra que Jesus estava consciente de possuir uma identidade divina.

6. Jesus se igualou ao Pai, e como resultado disso os líderes judeus acusaram-no de blasfêmia:

Implicações da Divindade de Cristo

Porque Jesus é Deus, as seguintes coisas são verdadeiras:

1. Deus pode ser conhecido definitiva e pessoalmente em Cristo: “Ninguém jamais viu a Deus; o Deus unigênito, que está no seio do Pai, é quem o revelou” (João 1.18); “Quem me vê a mim vê o Pai” (João 14.9).

2. A redenção é possível e foi realizada em Cristo: “Porquanto há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem” (1Timóteo 2.5).

3. No Cristo ressurreto, assunto e entronizado nós temos um Sumo Sacerdote que simpatiza conosco que tem um poder infinito para suprir nossas necessidades: “Porque não temos sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; antes, foi ele tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado” (Hebreus 4.15).

4. Adoração e obediência a Cristo são apropriadas e necessárias.

Erros Históricos Acerca da Divindade de Cristo

A mais antiga e radical negação da divindade de Cristo é chamada ebionismo ou adocionismo, a qual foi ensinada por uma pequena seita judaico-cristã no primeiro século. Eles acreditavam que o poder de Deus veio sobre um homem chamado Jesus para habilitá-lo a cumprir o papel messiânico, mas que Cristo não era Deus. Uma heresia cristológica posterior e mais influente foi o arianismo (início do século IV), o qual negava a natureza eterna e plenamente divina de Cristo. Ário (256-336 d.C.) acreditava que Jesus era o “primeiro e maior dos seres criados”. A negação ariana da divindade plena de Jesus foi rejeitada pelo Concílio de Nicéia em 325. Naquele concílio, Atanásio demonstrou que, segundo a Escritura, Jesus é plenamente Deus, sendo da mesma essência do Pai.


Website: thegospelcoalition.orgOriginal: Biblical Doctrine: The Person of Christ. © 2001–2012 Crossway. All rights reserved

Tradução: www.voltemosaoevangelho.com.

Vinicius Musselman Pimentel é presbítero na Igreja Batista da Graça, em São José dos Campos/SP; Supervisor editorial no Ministério Fiel; Coordenador na Conferência Fiel Jovens; Coordenador do Intensivo 9Marcas; fundador do Voltemos ao Evangelho; Conselheiro e Professor no Seminário FOCO de teologia bíblica e eclesiologia. É Bacharel em Engenharia Química pela UNICAMP e Mestre de Divindade, com ênfase em Estudos Pastorais, pelo Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper. Autor da revista de EBD “Marcas de uma Igreja Saudável” (Cristã Evangélica). Vinícius é casado com Aline, com quem tem uma filha, Beatriz.


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