A DISTINÇÃO E A UNIDADE DAS DUAS NATUREZAS DE CRISTO [3/3]

Céu com poucas nunvens rosado e alaranjado.

Paralelamente à plena divindade e humanidade de Jesus, a terceira e a quarta afirmações necessárias da cristologia bíblica são que na encarnação, as naturezas divina e humana permanecem distintas, e as naturezas são completamente unidas em uma pessoa. A melhor evidência dessas duas realidades são as passagens da Escritura nas quais a glória divina e a humildade humana de Jesus são apresentadas conjuntamente:

Esses versículos apresentam o profundo mistério do eterno e infinito Filho de Deus adentrando no tempo e no espaço e assumindo a natureza humana. Não existe pensamento mais grandioso no qual possamos ponderar do que esse.

Implicações das Duas Naturezas de Cristo

A crença de que Jesus é uma pessoa com duas naturezas, humana e divina, tem um grande significado para a possibilidade de pessoas caídas entrarem em um relacionamento com Deus. Cristo deve ser ao mesmo tempo Deus e homem para que possa ser o mediador entre Deus e o homem, fazer expiação pelo pecado, e ser um Sumo Sacerdote empático:

Em sua obra seminal Por Que Deus Se Tornou Homem, Anselmo da Cantuária (1033 – 1109 d.C.) sintetizou a importância das duas naturezas de Cristo para a sua obra expiatória ao dizer: “É necessário que a mesma e a própria Pessoa que há de realizar essa satisfação [pelos pecados da humanidade] seja perfeito Deus e perfeito homem, uma vez que Ele não pode fazê-lo a menos que seja de fato Deus, e a Ele não convém fazê-lo a menos que seja de fato homem” (Livro II, cap. 7).

Erros Históricos Acerca da Unidade das Naturezas de Cristo

Há seis heresias históricas relacionadas à pessoa de Cristo listadas na tabela abaixo. As primeiras quatro heresias estão descritas acima. O nestorianismo enfatizava a distinção entre as naturezas de Cristo de tal modo que fazia parecer que Cristo era duas pessoas em um corpo. O eutiquianismo enfatizava a unidade das naturezas ao ponto em que todas as distinções entre elas se perdiam, e Cristo era visto como alguma entidade nova, com uma única natureza, maior do que meramente homem, sendo plenamente Deus em uma novo modo.

Em 451 d.C., líderes da igreja se reuniram na Calcedônia (fora da antiga Constantinopla) e escreveram um credo afirmando tanto a plena humanidade como a plena divindade de Jesus, com as suas duas naturezas unidas em uma pessoa. Esse credo, formulado na Calcedônia, tornou-se a afirmação fundamental da igreja acerca de Cristo. O Credo Calcedônico é lido como segue:

“Nós, portanto, seguindo os santos pais, todos perfeitamente unânimes, ensinamos que se deve confessar um só e o mesmo Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, perfeito quanto à divindade, perfeito quanto à humanidade, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, possuindo alma racional e corpo; consubstancial com o Pai, segundo a divindade, e consubstancial conosco, segundo a humanidade; em todas as coisas semelhante a nós, excetuando o pecado; gerado antes de todos os séculos pelo Pai segundo a divindade, e, nestes últimos dias, por nós e por nossa salvação, nascido da Virgem Maria, Mãe de Deus, segundo a humanidade; um só e o mesmo Cristo, Filho, Senhor, Unigênito, que se deve confessar em duas naturezas, inconfundíveis, imutáveis, indivisíveis, inseparáveis e indivisíveis; a distinção da naturezas de modo algum é anulada pela união, mas, pelo contrário, as propriedades de cada natureza permanecem intactas, concorrendo para formar uma só Pessoa e Subsistência; não dividido ou separado em duas pessoas. Mas um só e mesmo Filho Unigênito, Deus o Verbo, Jesus Cristo o Senhor; conforme os profetas outrora a seu respeito testemunharam, e o mesmo Jesus Cristo nos ensinou e o credo dos padres nos transmitiu.”

Implicações da Cristologia Calcedônica

1. Uma natureza de Cristo às vezes é vista fazendo coisas das quais a outra natureza não compartilha.

2. Qualquer coisa que uma das naturezas fizer, a pessoa de Cristo a faz. Ele, o Deus encarnado, é o agente ativo em todo o tempo.

3. A encarnação significa que Cristo adquire atributos humanos, não que ele abriu mão dos atributos divinos. Ele se despiu da glória da vida divina (2Coríntios 8.9; Filipenses 2.6), mas não a possessão dos poderes divinos.

4. Nós devemos olhar primeiro para os relatos do ministério de Jesus nos Evangelhos, a fim de vermos a encarnação em atividade, ao invés de seguirmos especulações moldadas por assunções humanas errôneas.

5. A iniciativa para a encarnação veio de Deus, e não do homem.

Embora esse credo não resolva todas as questões acerca do mistério da encarnação, ele tem sido aceito por católicos romanos, ortodoxos e pelas igrejas protestantes ao longo da história, e nunca necessitou de qualquer alteração significativa porque ele eficazmente articula a tensão bíblica entre as duas naturezas de Cristo, completamente unidas em uma pessoa.


Website: thegospelcoalition.orgOriginal: Biblical Doctrine: The Person of Christ. © 2001–2012 Crossway. All rights reserved

Tradução: www.voltemosaoevangelho.com

Vinicius Musselman Pimentel é presbítero na Igreja Batista da Graça, em São José dos Campos/SP; Supervisor editorial no Ministério Fiel; Coordenador na Conferência Fiel Jovens; Coordenador do Intensivo 9Marcas; fundador do Voltemos ao Evangelho; Conselheiro e Professor no Seminário FOCO de teologia bíblica e eclesiologia. É Bacharel em Engenharia Química pela UNICAMP e Mestre de Divindade, com ênfase em Estudos Pastorais, pelo Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper. Autor da revista de EBD “Marcas de uma Igreja Saudável” (Cristã Evangélica). Vinícius é casado com Aline, com quem tem uma filha, Beatriz.

Publicado com permissão.


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