INDICAÇÃO DE LEITURA: O CUSTO DO DISCIPULADO – JONAS MADUREIRA

A doutrina da imitação de Cristo

Bem-aventurado aquele que compreende o que seja amar a Jesus e desprezar-se a si por amor de Jesus. Por esse amor deves deixar qualquer outro, pois Jesus quer ser amado acima de tudo. O amor da criatura é enganoso e inconstante; o amor de Jesus é fiel e inabalável. Apegado à criatura, cairás com ela, que é instável; abraçado com Jesus, estarás firme para sempre.

A Imitação de Cristo Capítulo VII

A palavra discípulo, como disciplina, vem da palavra latina “discipulus”, que significa “aluno” ou “aprendiz”. Ou seja, aprender é disciplinar-se; é alguém que direciona sua mente para um conhecimento e conduta específicos.

O discipulado bíblico envolve andar com o Mestre e aprender com as suas palavras, mas como veremos adiante, vai mais além. Todo discípulo segue Jesus. É o que o Jonas Madureira[1] destrincha, com maestria, sobre o que realmente significa seguir Jesus em sua obra O custo do Discipulado[2].

É comum os cristãos discursarem sobre o tema e destacarem a importância de se tornar discípulo de Cristo. Mas ao ler o livro, o leitor pode dar-se conta de que ignorava o verdadeiro significado da palavra e as suas devidas implicações.

Jonas elucidou o tema de maneira clara e acessível, favorecendo a reflexão sobre o verdadeiro significado do discipulado. O livro é dividido em duas partes: na primeira, ele aborda os custos exigidos ao seguir Cristo; na segunda, discorre sobre o ato de imitar Jesus.

Parte I

 O custo do discipulado

O autor inicia o capítulo esclarecendo que a palavra discipulado apresenta dois sentidos significativos: o primeiro é ao ato de seguir Jesus, ou seja, imitar Cristo; o segundo é ao ato de ajudar alguém seguir Jesus.

O desastre moderno reside em tentar exercer o segundo sem jamais ter abraçado o primeiro. Todo o livro é enfático neste ponto.

Jonas critica os atuais pastores que dificilmente pregam nos púlpitos sobre o discipulado e, quando o fazem, exclui o custo que ele exige; algo que Jesus falou abertamente para os seus ouvintes.

O autor define a palavra custo com exemplos rotineiros de uma pessoa comum e, logo após, discorre sobre as três condições requeridas para aquele que deseja seguir o Senhor:

  1. um certo tipo de amor;
  2. um certo tipo de sofrimento;
  3. um certo tipo de desapego.

Foram baseadas no texto registrado em Lucas 14.25-35: “No discipulado, essas três demandas não podem ser preteridas. Isso significa que a ausência de uma delas desqualifica o discipulado” (P. 30).

Para identificar os primeiros indivíduos que receberam os ensinamentos do Senhor, Jonas valeu-se de uma pesquisa sobre a historicidade de Jesus, registrada no livro do padre John P. Meier, Um Judeu Marginal[3]. Foram classificados e dispostos em um círculo concêntrico:

  1. as multidões;
  2. os discípulos;
  3. e os doze.

Jesus foi enfático ao falar da consciência que a multidão precisava desenvolver sobre os custos de segui-lo. O autor aproveita para alertar o leitor que, para ser cristão, é preciso sair do anonimato e isto implica em abandonar a multidão, que não possui um rosto ou identidade; apenas “segue” Jesus, mas desinteressada em levar a cruz.

A multidão é a demonstração de que é “possível” seguir Cristo sem compromisso, ou seja, moldar a própria cruz à personalidade pecaminosa.

Para não deixar dúvidas ao leitor a respeito das três condições requeridas, ele pondera sobre cada uma delas recorrendo a exemplos cotidianos e às parábolas citadas por Jesus (o tolo construtor e o rei prudente).

Parte II

A Doutrina da Imitação de Cristo

Nesta segunda parte, Jonas Madureira esclarece sobre a outra face do discipulado: o de ajudar outros seguirem Jesus. Logo nas primeiras palavras, ele aclara uma questão que tem sido distorcida e que muitos cristãos confundem: especulação x imitação.

O autor ressalta que após a publicação do livro Em seus passos o que faria Jesus? [4], a ideia de que discipulado é apenas observação de um código de moralidade, inspirada na especulação do comportamento de Jesus para determinadas situações, ganhou força no meio cristão.

O discipulado não está pautado na especulação, mas na “imitação de Cristo” (imitativo Christi). Não é especulativa, mas mimética, ou seja, se dá através da imitação.

Madureira esclarece sobre as questões alçadas por aqueles que alegam que ao imitarem Jesus ou a pessoas que o imitam, estariam abandonando a autenticidade e, como consequência, a identidade seria perdida.

Jonas Madureira, que além de teólogo é filósofo, faz uso da Filosofia para diferenciar autenticidade e sinceridade. Ele destaca que é necessário que o cristão seja sincero e não autêntico, como o mundo tem aplaudido, para glorificar a Cristo.

Enquanto o paradigma da sinceridade (exemplificado por Agostinho) reconhece a necessidade de ter a alma moldada por Deus, o protótipo da autenticidade (proposto por Rousseau) tenta ocultar seus modelos para sustentar uma ilusão de autonomia.

O discipulado cristão desfaz tal mentira os que pensam desta forma. É chamado por ele como Verdade Romanesca: o ser humano não é e nunca será original; não é autêntico e sempre se valerá de um modelo para imitar.

Para finalizar o livro, Jonas se volta para os que desejam discipular, sem de fato, ser um seguidor de Jesus. Ele faz uso da analogia de uma rosa vermelha para auxiliar no conceito: embora possamos distinguir a rosa e a sua cor conceitualmente — distinctio sed non separatio — é impossível separá-las na realidade.

Assim como a cor sempre acompanhará a rosa, quando alguém se torna discípulo, é imperativo que ajude outros a o serem também. São indissociáveis. Se assim não for, será um “cego guiando outro cego”.

É impossível, após concluir a leitura, o leitor pensar que há atalhos para a aprendizagem cristã. Há um custo a ser pago e, o discipulado de baixo custo, que pode parecer vantajoso por hora, a longo prazo resultará em cristãos doentes e fracos espiritualmente.

O livro é curto, mas impactante. Jonas Madureira é direto, incisivo e faz uso de recursos literários para que o leitor não conclua o livro com algum tipo de dúvida que venha impactar na sua vida de discipulado: ao seguir Jesus e a ajudar os outros a segui-lo.


[1] Jonas Moreira Madureira (Salvador, Bahia, 30 de julho de 1976)[1][2] é um pastor batista reformado, teólogo, filósofo, escritor[3][4][5][6][7][8] e professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie,[9][10] do Seminário Martin Bucer[11] e do programa de doutorado do Puritan Reformed Theological Seminary (Estados Unidos da América).[12] É vice-presidente do Coalizão pelo Evangelho e membro do Instituto Brasileiro de Direito e Religião, presidido honoravelmente por Ives Gandra Martins,[13] além de também ser pastor da Igreja Batista da Palavra, em São Paulo

[2] MADUREIRA, Jonas. O custo do discipulado: a doutrina da imitação de Cristo. São Paulo dos Campos, SP: Fiel, 20219.

[3] A primeira tentativa de tratamento rigorosamente científico do Jesus histórico feita por um católico americano, o padre John P. Meier, professor da cadeira de Novo Testamento da Universidade Católica da América.

[4] CF. Charles M. Sheldon. Em seus passos o que faria Jesus? São Paulo: Mundo Cristão, 2007.




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