QUANDO VOCÊ NÃO ACREDITA EM SUAS PRÓPRIAS ORAÇÕES.

QUANDO VOCÊ NÃO ACREDITA EM SUAS PRÓPRIAS ORAÇÕES.

Recentemente, um irmão em Cristo me confidenciou, em tom de sussurro, o que acreditava ser uma confissão escandalosa: “Às vezes, eu não acredito nas minhas próprias orações”. Enquanto esse irmão falava em voz baixa, imaginando que seu problema era único entre os cristãos, suspeito que muitos crentes, de tempos em tempos, duvidem de suas próprias orações. Afinal, uma coisa é aceitar com a mente que Deus pode curar o câncer, trazer de volta o filho pródigo, redimir o mais endurecido dos pecadores e afins; outra coisa é acreditar no coração que Deus fará tais coisas em sua própria vida em resposta às suas orações.

O que devemos pensar sobre esse fenômeno? Será que uma fé fraca significa que Deus não ouvirá nossas orações, ou talvez que ele não concederá o milagre pelo qual temos clamado? Pior ainda, a falta de crença nas nossas próprias orações seria um sinal de que há pecado não confessado em nossas vidas? Certamente, o pecado pode afetar nossas orações, e, se for o caso, a solução é sempre o arrependimento. No entanto, partindo do pressuposto de que não há pecado oculto em nossas vidas, quero apresentar três exortações relacionadas à oração e à fé, com o objetivo de encorajar cristãos que lutam para acreditar em suas próprias orações.

1. Jesus está orando pela sua fé.

Nosso orgulho muitas vezes nos impede de admitir nossas fraquezas e pedir ajuda – em todas as áreas da vida. Por exemplo, frequentemente, quando cristãos se reúnem na igreja ou em pequenos grupos, todos vestem uma máscara invisível e, quando perguntados como estão, todos afirmam estar “bem”. De fato, a experiência mostra que poucos crentes estão dispostos a admitir, publicamente ou em particular, que têm dúvidas espirituais, que suas orações parecem impotentes e que sua fé vacila – pelo menos em alguns momentos.

Jesus, no entanto, conhece o verdadeiro estado da nossa fé. A Escritura ensina que Cristo conhece o coração do homem (cf. João 2.24) e que ele continuamente “intercede por nós” (Rm 8.34). Em Hebreus, após explicar a capacidade de Jesus de se identificar com a humanidade, o autor do livro ensina que Cristo é nosso Sumo Sacerdote e que “ele vive para interceder por nós” (Hb 7.25). Além disso, pouco antes de sua crucificação, Jesus disse especificamente a Pedro que havia orado por sua fé, para que ela não desfalecesse (cf. Lucas 22.32). Certamente Cristo faz o mesmo por nós.

Em outra ocasião, quando os apóstolos de Jesus se sentiram desafiados por alguns de seus ensinamentos, eles pediram a Cristo: “Aumenta a nossa fé” (Lucas 17.5). Essa oração, embora simples e curta, é um modelo para a igreja. Observe que a resposta de Jesus à oração dos discípulos foi ensinar que “uma fé como um grão de mostarda” (Lucas 17:6) é suficiente. Em outro momento, Jesus exortou seus seguidores a terem uma fé como a de uma criança (cf. Mateus 18.3). Embora comentaristas debatam os detalhes da fé como grão de mostarda e da fé como a de uma criança, todos concordam que Jesus estava enfatizando a presença da fé, e não a perfeição da fé.

2. Jesus está desenvolvendo sua fé.

Alguns crentes temem que Deus não responda às suas orações por causa de sua fé fraca. Contudo, nas Escrituras lemos que Jesus frequentemente respondeu orações e realizou milagres, não por causa da fé das pessoas, mas para desenvolver a fé nelas. Isso é evidente em um dos milagres mais dramáticos de Jesus: a ressurreição de Lázaro. Nesse evento tão conhecido, Cristo revela que uma das razões para todo esse episódio foi para que seus discípulos (cf. João 11.15), Marta (cf. João 11.26) e as multidões que estavam reunidas cressem nele (cf. João 11.42). Em outras palavras, Jesus não ressuscitou Lázaro porque aqueles presentes tinham grande fé ou porque suas orações eram fervorosas; ao contrário, Cristo ressuscitou Lázaro para desenvolver a fé daqueles que testemunharam o milagre.

Outro exemplo de oração respondida que claramente não dependia de uma grande fé é o relato da cura do menino epilético na Galileia. Nesse episódio, registrado nos três Evangelhos Sinópticos, os discípulos não conseguiram curar o filho epilético que fora trazido a eles pelo pai, enquanto Cristo estava no Monte da Transfiguração. Quando Jesus finalmente apareceu, o pai do menino explicou a condição do filho e disse a Cristo: “Se podes fazer alguma coisa, tem compaixão de nós e ajuda-nos” (Marcos 9.22).

Certamente, esse homem não é um exemplo de grande fé, pois o “se” condicional parece questionar a capacidade de Jesus de curar. De fato, após uma leve repreensão de Cristo, esse pai desesperado exclamou: “Eu creio, ajuda-me na minha falta de fé!” (Marcos 9.24). Além disso, Mateus registra a falta de fé dos discípulos nessa ocasião (cf. Mateus 17.20) e Lucas observa a falta de fé entre a multidão reunida (cf. Lucas 9.43). Ainda assim, apesar da fé fraca de todos os presentes nesse relato, Jesus curou o menino de sua epilepsia simplesmente por causa de sua bondade e compaixão.

3. Jesus está esperando sua fé.

Uma última exortação relacionada a acreditar em suas próprias orações é colocar sua fé em Deus, e não em suas orações. A fé não é uma força que utilizamos para coagir Jesus a responder nossas petições. Pelo contrário, a fé é simplesmente confiar na graça revelada de Deus. Embora não saibamos quando ou como Deus responderá às nossas orações, conhecemos o caráter de Deus, pois ele está claramente revelado nas Escrituras. Um grande exemplo bíblico de confiar em Deus, e não em nossas próprias orações, é o relato de Sadraque, Mesaque e Abede-Nego.

Quando Sadraque, Mesaque e Abede-Nego foram confrontados com a escolha entre adorar um ídolo de ouro ou serem lançados na fornalha ardente de Nabucodonosor, a resposta deles ao rei foi: “O nosso Deus, a quem servimos, pode nos livrar das suas mãos, ó rei. Mas, se não o fizer, saiba, ó rei, que não serviremos aos seus deuses, nem adoraremos a imagem de ouro que você levantou” (Dn 3.17-18). Esses homens não sabiam se Deus os livraria da fornalha ardente; no entanto, conheciam o caráter de Deus. De fato, esses três amigos entendiam que há uma diferença entre não saber o que Deus fará e não acreditar que Deus fará alguma coisa.

Em resumo, podemos concluir que, enquanto Deus nos convida a lançar sobre ele todas as nossas ansiedades (cf. 1Pe 5.7), a experiência nos ensina que, ocasionalmente, todos nós lutaremos para acreditar em nossas próprias orações. No entanto, quando dúvidas surgirem em sua mente e coração, conforte-se ao saber que Jesus está continuamente orando por você, está trabalhando em sua vida para aprofundar e desenvolver sua fé, e está pronto para aceitar sua fé, por mais fraca que ela seja.


Por: David W. Jones ©️ The Center for Great Commission Studies. Traduzido com permissão. Fonte: When You Don’t Believe Your Own Prayers. Todos os direitos reservados. Tradução, revisão e edição: Samuel S. Gomes. Janeiro de 2025.

Autor: David W. Jones é professor de Ética Cristã e atua como Reitor Associado de Estudos Teológicos e Diretor do Programa Th.M. no Southeastern Baptist Theological Seminary. Ele é autor de muitos livros, incluindo Every Good Thing, An Introduction to Biblical Ethics e é coautor de Health, Wealth, and Happiness. Ele comenta sobre a Bíblia em redeemedmind.com.




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