04 LIÇÕES QUE APRENDI AO LER O LIVRO “O PEREGRINO” DE JOHN BUNYAN

John Bunyan (1628 – 1688), foi um cristão batista, escritor, teólogo, pregador e romancista britânico. Nasceu em Harrowden, Elstow, na Inglaterra, foi o autor de “O Peregrino”, uma das obras mais conhecidas pelos cristãos até hoje.

Contudo, Bunyan teve pouca educação escolar, pois além de trabalhar com seu pai no comércio de Tarish Tinker, ele serviu o exército parlamentário de Newport Pagnell (1644 – 1647). Em sua autobiografia, Bunyan se descreveu como um rebelde em sua juventude.

Durante muito tempo, ele foi atormentado espiritualmente, tinha visões temerosas e achava ter cometido o “pecado imperdoável”. Porém, Bunyan venceu os seus conflitos e se tornou um notável propagador do evangelho.

Em 1653, foi batizado no River Great pela igreja Batista. Logo, em 1655, quando se tornou um diácono, ele começou a pregar, com grande sucesso. No entanto, em novembro de 1660 Bunyan foi preso depois de ser acusado por pregar sem licença. Por se recusar a não deixar de falar do evangelho , ele permaneceu preso por 12 anos, até 1672.

Assim, nascia sua famosa obra, “O Peregrino”. Historiadores modernos acreditavam que o livro foi iniciado na segunda prisão de Bunyan, mais curta, por seis meses em 1675. Porém, estudiosos contemporâneos acreditam que foi iniciado durante sua prisão inicial (1660–72) logo após ter escrito sua autobiografia espiritual Grace Abounding to the Chief of Sinners (1666).

De um ponto de vista puramente literário, O Peregrino é, sem dúvida, a maior alegoria já escrita. Os críticos o chamaram de “um híbrido de alegoria religiosa, o primeiro romance, diálogo moral, história popular, romance picaresco, épico, visão de sonho e conto de fadas”.[1]

Charles Spurgeon o adorava e o citava com frequência: “Depois da Bíblia, o livro que mais valorizo é O Peregrino, de John Bunyan. Creio que já o li pelo menos cem vezes. É um volume do qual parece que nunca me canso; e o segredo de seu frescor é o fato de ser tão amplamente compilado das Escrituras”. [2]

ENREDO

O livro é constituído por alegoria contada como se fosse um sonho, voltando-se sempre a extrair dos eventos narrados alguns ensinamentos bíblicos.

O jovem peregrino chamado Cristão, atormentado pelo desejo de se ver livre do fardo pesado que carrega nas costas, segue sua jornada por um caminho estreito, indicado por um homem chamado Evangelista, pelo qual se pode alcançar a Cidade Celestial. Na narrativa, todas as personagens e lugares que o peregrino encontra possuem nomes como Hipocrisia, Boa-Vontade, Sr. Intérprete, gigante Desespero, A Cidade da Destruição, O Castelo das Dúvidas, etc., de acordo com suas personalidades.

Duarante a peregrinação, surgem muitas adversidades, nas quais ele padece vários sofrimentos. Apesar de tudo, o protagonista mantém-se sempre sóbrio, encontrando auxílio no companheiro de viagem Fiel, um concidadão seu. Mais adiante, Fiel é executado pelos infiéis da Feira das Vaidades que se opoem à busca dos dois peregrinos. Contudo, Cristão acha um outro companheiro, chamado Esperança, que mais tarde lhe salvará a vida e eles seguem a dura jornada até chegarem ao destino almejado.

O QUE APRENDI LENDO O PEREGRINO

Todos somos peregrinos

Peregrinos são pessoas andantes, que viajam longas jornadas; desprendidos de bens materiais e muitas vezes são vistos como pessoas estranhas. São estrangeiros que não se apegam ao mundo exageradamente .

Não poderia haver melhor adjetivo empregado por Bunyan para exemplificar um verdadeiro cristão. O próprio Jesus falou que estamos no mundo apenas de passagem: “Não rogo que os tires do mundo, mas que os protejas do Maligno. Eles não são do mundo, como eu também não sou” (João 17. 15-16).

Se vivermos neste mundo e amá-lo mais ao invés do próprio Cristo, podemos se consideradas pessoas miseráveis em um caminho rumo a destruição. Se o mundo nos ama e acolhe as nossas palavras sem pestanejar, há algo de errado conosco; se ele insistir, em unanimidade, de seguir o caminho de nossa peregrinação celeste, provavelmente estamos andando no caminho largo onde cabe a todos juntamente com seus pensamentos mundanos.

Se não somos perseguidos de alguma forma, provavelmente estamos perseguindo o modo como vivem para não sermos taxados de excludentes dentro do reino. A nossa vida aqui é curta, como diz o salmista: “Quanto ao homem, os seus dias são como a erva; como a flor do campo, assim ele floresce. Pois, passando por ela o vento, logo se vai, e o seu lugar não a conhece mais” (Salmo 103:15-16).

A nossa peregrinação neste mundo rumo a cidade celestial é breve, mas o que nos espera posterior a isso é eterna. A maneira que vivemos aqui, com todas as ambições e fraquezas, resultará em como passaremos a eternidade.

Nem todos ombrearão o caminho conosco

Durante a jornada de Cristão, muitos personagens apareceram com o mesmo pensamento: fazer companhia a ele para chegarem, juntos, à Cidade Celestial. Mas nem todos estavam aptos para acompanhá-lo, pois não possuíam o mesmo pensamento, ou seja, não liam o mesmo Livro e não compartilhavam dos mesmos valores.

Personagens como Obstinado, Vacilante, Hipocrisia, Pagão, Interesse Próprio e Formalista apareceram e muitos obtiveram diálogos com o Cristão, mas não seguiram na mesma jornada. Apenas um companheiro, o Esperança, o acompanhou até o final.

Temos amigos e familiares e os amamos incondicionalmente, mas nem todos partilharão a mesma estrada conosco. É uma verdade e realidade difícil de tragar, mas é o que a Bíblia diz. Em Jeremias 5:21, está escrito: “Ouvi agora isto, ó povo insensato e sem entendimento, que tendes olhos e não vedes, tendes ouvidos e não ouvis”.

As verdades contidas no Evangelho não são para todos os ouvidos. Muitos não suportam o que está escrito ali ou simplesmente negam a divindade de Jesus e estão apenas preocupados em viver o agora e não querem saber onde passarão a eternidade.

Muitos, se decidirem caminhar conosco, provavelmente quererão o caminho mais largo em que não terão que passar por aflições e provações para seguirem a Cristo. O caminho mais largo comporta muitas pessoas que declaram que “Deus é amor e que ele aceita a todos sem discriminação;” são apenas alguns dos pensamentos de pessoas insensatas e que trilham o caminho rumo a perdição.

As armadilhas são inevitáveis

Somos peregrinos em um mundo dominado pelo pecado e que jaz no maligno (1 João 5:19). Estamos sujeitos ao pecado e à tentação diabólica e o inimigo usa de todas as armadilhas que estão ao seu alcance para desviar o crente do Caminho.

A armadilha nunca virá com a aparência de armadilha: ela aparece de forma sutil e simples para enganar o povo de Deus. Cristão provou das astúcias de Satanás pela jornada quando ouviu o Sábio-Segundo-o-Mundo para desviá-lo da caminhada rumo ao destino celestial. Para tanto, ele utilizou duas armadilhas: a primeira foi a de convencê-lo de que o caminho que o Evangelista indicou a ele é bastante perigoso e, que por isso, deveria adentrar um mais fácil, pois o destino seria o mesmo; a segunda armadilha foi para que Cristão abandonasse o pesado fardo que carregava sobre as costas, o que dificultava a jornada.

Esses artifícios são maquinados para que os filhos de Deus sejam desviados pelos filhos do Diabo e, assim, sejam condenados pelos seus pecados. O mundo pode estar no maligno, mas isso não significa que estamos perdidos e sujeitos ao inimigo de Deus. Temos socorro, auxílio e capacitação divina para escaparmos de todas elas.

Cristão provou desse amor e auxílio quando Deus veio ao seu encontro e o advertiu sobre a atitude terrível que decidiu tomar. O amor o alcançou e, mesmo sem merecer, foi perdoado ao retroceder para o caminho indicado.

Deus disciplina os seus filhos

Não espere ser chamado de filho de Deus, se não suporta ser disciplinado por ele. Ele não poderia ser chamado de Pai se não corrigisse seus filhos que foram comprados por um preço inestimável.

Cristão e seu companheiro de jornada, Esperança, já haviam cometido o erro de confiar em pessoas que não deveriam ter partilhado nem mesmo um simples diálogo e arcaram com as consequências. Contudo, novamente caíram na mesma armadilha por alguém que parecia ser um anjo de luz, do qual já haviam sido seriamente advertidos contra acontecimentos semelhantes a esse.

Novamente a misericórdia e graça de Deus se manifestaram entre eles ao ajudá-los a voltar para o caminho correto e se tornaram mais evidentes ao açoitá-los para que não mais cometessem os mesmos erros.

Depois de tudo o que vivenciaram pela estrada, pode parecer que Deus agiu com crueeldade ao discipliná-los, mas foi um ato de amor para com seus filhos para que fosse forjado, neles, um caráter inabalável e obediente. Se recebemos o amor de Deus que foi gentilmente oferecido através de Jesus na Cruz, também somos capazes de receber os “açoites” dados por um Pai amoroso que preza pelo bem-estar de seus filhos.

CONCLUSÃO

São apenas alguns dos ensinamentos que Bunyan registrou de forma memorável e pedagógica. É impossível que, durante a leitura, nós não nos enxerguemos através do personagem, principalmente nos momentos mais difíceis e aterrorizadores.

O livro “O Peregrino” é repleto de lições e direcionamentos para a igreja peregrina em mundo que está em busca de outro mundo sem pecado e eterno.


Notas

[1] Lynn Veach Sadler, John Bunyan, Twayne Publishers, 1979).

[2] Do prefácio de Pictures from Pilgrim’s Progress: A Commentary on Portions of John Bunyan’s Immortal Allegory.


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