DIÁRIO DE VIAGEM: REGIÃO DA GALILEIA

Lago com a cidade em volta

Galileia

Galileia é uma região localizada ao norte de Israel (antiga Palestina). Se estende até o Monte Carmelo a sudoeste, a sudeste até Citópolis, ao nordeste até o Monte Hermon e ao norte até Tiro. Atualmente, é um lugar que pertence ao Estado de Israel e integra a maior parte do Distrito Administrativo do Norte do país.

É dividida em três partes:

A Alta Galileia: estende do Vale Beit HaKerem para o norte até o sul do Líbano. Sua fronteira oriental é o Vale de Hula e o Mar da Galileia, separando-a das Colinas de Golã. A oeste, alcança a Planície Costeira que separa o Mediterrâneo.

A Baixa Galileia: abrange a área ao norte dos Vales (Jezreel, Haro de Vale de Beth Shean) e ao sul do Vale de Beit HaKerem. Faz fronteira a leste com o Vale do rio Jordão.

Galileia Ocidental: o termo é moderno e refere-se à área no Oeste, perto do mar.

A origem do nome é incerta, mas é comumente aceito que Galileia significa círculo”, anel”, no sentido de “distrito” ou “região”, do hebraico galil.

Às vezes, a Bíblia se refere à região como a “Galileia dos gentios” (Isaías 9:1; Mateus 4:13-16). Isso ocorre devido ao fato de que 700 a.C, os galileus israelitas foram conquistados pela Assíria e, como consequência, os que viviam ali foram obrigados a deslocarem-se para o país. Nesse ínterim, os imigrantes não judeus se mudaram para a Galileia (2 Reis 15:29-17:24), originando o termo supracitado.

A maioria da população israelita desprezava o lugar por alguns motivos: a distância de Jerusalém; a miscigenação cultural que resultou em um povo diversificado; o sotaque característico; a reputação duvidosa e um histórico de agitação política. Esses preconceitos contribuíram para que concluíssem que a Galileia era inferior em termos religiosos e culturais.

Assim, os judeus que viviam no Sul tendiam a desprezar os galileus, pois considerava-os sem instrução e de ascendência questionável (João 1:46; 7:52). O termo “galileu” às vezes era dirigido a Jesus, como insulto, justamente porque ele passou a maior parte da sua vida nessa província. Todos os seus apóstolos, exceto Judas Iscariotes, que era da Judeia, nasceram na Galileia.

Durante o reinado dos Hasmoneus[1], com a revolta dos Macabeus[2] e do declínio do Império Selêucida[3], a Galileia foi conquistada pela Judeia e a região foi repovoada pelos judeus. O distrito aceitou juntar-se aos judeus, porque a população reconheceu a autoridade do templo de Jerusalém ao invés do templo samaritano.

Durante o império romano, o país foi dividido em Judeia, Samaria e Galileia, que fazia parte da seção norte e foi a maior das três regiões. Herodes Antipas, filho de Herodes, o Grande, governou como tetrarca.

Galileia no Antigo Testamento

A Galileia não é citada no Antigo Testamento com frequência. Essa região foi um dos lugares distribuídos entre as doze tribos de Israel, incluindo a tribo de Naftali. Mas os cananeus continuaram a viver ali mesmo após a repartição (Jz 1:30-33; 4:2). Logo, os judeus galileus passaram a conviver entre os gentios.

A Bíblia relata que o rei Salomão recompensou Hirão, como pagamento por alguns serviços prestados, dando-lhe de presente vinte cidades entre as montanhas de Naftali. Hirão a chamou “Terra de Cabul”, pois não lhe agradaram (1Reis 9.10-14). Em Isaías 9.1, a província é conhecida como “Distrito da Organização das Nações” (גְּלִיל – הַגּוׁיִם; lit: Glil HaGoyim) pois, após a invasão da Aassíria, por volta de 730 a.C. (2 Rs 15.29), a população da Galileia foi, mais uma vez, habitada por povos de outras nações.

O Mar da Galileia

Fonte: arquivo pessoal.

O Mar da Galileia, também conhecido como Mar de Tiberíades ou Lago de Genesaré, é um extenso lago de água doce. É o maior lago de Israel e tem comprimento máximo de 19 quilômetros e largura máxima de 13 km, sendo que sua área total abrange 166,7 km². O seu afluente principal é o rio Jordão, que vem do monte Hérmon e de Cesareia de Filipe, seguindo depois para o mar Morto.

Há dois mil anos, no lago e em seu entorno, a sobrevivência de muitas famílias dependia da pesca. Os evangelhos de Marcos (Marcos 1:14–20) e Mateus (Mateus 4:18–22) descrevem como Jesus recrutou quatro dos seus apóstolos nas margens do lago de Genesaré: o pescador Pedro, seu irmão André e os irmãos João e Tiago.

Fonte: arquivo pessoal.

Acontecimentos bíblicos no Mar da Galileia

Fonte: arquivo pessoal.

Cidades históricas nas margens do Mar da Galileia

Nazaré

Fonte: arquivo pessoal.

Jesus nasceu em Belém, na província da Judeia, porém viveu sua infância e adolescência em Nazaré, na Galileia. Supõe-se que Nazaré seja a forma grega de netser no hebraico, um” broto” ou “rebento”.

Nazaré está situada entre os cumes do sul do Líbano, na encosta íngreme de uma colina, a 22km do Mar da Galileia e 10km a oeste do monte Tabor. Atualmente, tem cerca de 75.000 habitantes (2017), é a maior comunidade árabe do país, depois de Jerusalém. Era uma aldeia desconhecida para a maioria das pessoas; as casas eram bem simplórias, escavadas na rocha.

Ela não é mencionada no Antigo Testamento. Foi o lar de José e Maria (Lucas 2:39), e onde o anjo anunciou à Maria o nascimento do Messias (Lucas 1:26-28).

A Basílica da Anunciação (Igreja Grega Ortodoxa da Anunciação), é local onde o anjo teria anunciado à Maria que dela viria o Messias. Há relatórios de peregrinos que visitaram Nazaré no século IV com o intuito de conhecer a casa que José, Maria e Jesus viveram e testemunharam que naquela época já era um lugar para cultos cristãos, onde havia um altar.

Fonte: arquivo pessoal.

No século V, foi construída uma igreja de estilo bizantino, que encontrava-se em ruínas quando os Cruzados chegaram ao findardo século XI. O cavaleiro normando Tancredo, Príncipe da Galileia, mandou construir uma basílica sobre a ruína (uma gruta), mas o edifício foi destruído uma vez mais durante a invasão do Sultão Bibars, ocorrido 1263.

Em 1620, um emir autorizou os franciscanos a adquirir as ruínas da basílica e da gruta. Em 1730, eles obtiveram a autorização do Sultão otomano para construir uma nova igreja no local. O complexo foi ampliado em 1877 e completamente demolida em 1955, para a construção da atual basílica, que é o maior santuário cristão do Oriente Médio.

São dois andares: no térreo, está a gruta onde teria sido a casa de Jesus. No segundo andar funciona a paróquia.

De acordo com uma narrativa do apócrifo de Tiago, Maria, ao receber o anjo estava sentada em sua banca de trabalho, tecendo púrpura com a roca e o fuso.

Gruta da Anunciação: foi nesse local que Maria teria recebido do Anjo Gabriel a Anunciação de que seria mãe do filho de Deus.

Fonte: arquivo pessoal.
Fonte: arquivo pessoal.

As pesquisas arqueológicas realizadas em Nazaré no século XX confirmaram que havia culto cristão ao redor da Gruta da Anunciação desde os primeiros séculos. Além disso, descobriram os restos de três igrejas (visíveis na cripta da atual basílica) que foram construídas como citado acima.

Primeiro andar em que funciona a paróquia.

Fonte: arquivo pessoal.

Ha também a igreja de São José, construída em 1914 no estilo neorromânico, sobre as fundações de outra antiga igreja construída anteriormente (havia uma do tempo dos cruzados, do séc. XII, que os muçulmanos arrasaram no séc. XIII). É o local onde se acredita ter sido a carpintaria de José, pai terreno de Jesus e marido de Maria.

Fonte: arquivo pessoal.

Ela faz parte do mesmo complexo composto pela Basílica da Anunciação, está apenas a cem metros de distância.

As escadas levam ao subsolo da igreja, onde há uma cripta com vestígios arqueológicos da época da vila de Nazaré, bem como a caverna usada como oficina de José. Além de um antigo poço de água, mosaicos e celeiros que sobreviveram desde os séculos I e II a.C.

Fonte: arquivo pessoal.
Fonte: arquivo pessoal.

Embora estas ruínas possuam um grande significado, os arqueólogos não podem afirmar que este e não outro lugar foi a morada da família de Jesus. É necessário obter fontes antigas que o certificasse, como aconteceu com, por exemplo, na Basílica da Anunciação. 

Fonte: arquivo pessoal.

Algumas ruínas estão visíveis e abertas para visitação no pátio que anexa as duas igrejas, mas em outras o acesso não é permitido para que sejam preservadas. As escavações realizadas em 1908, trouxeram à tona restos de uma primitiva igreja bizantina (sé. V-VI) que teria sido edificada no lugar em que atualmente, na cripta, é possível observar as dependências de uma casa que datadas do séc. I ou II da nossa era: uma adega escavada na rocha, vários celeiros, cisternas para a água, bem como um possível batistério (tanque de batismo) em que se descia por uma escada com sete degraus, com mosaicos na parede.

Fonte: arquivo pessoal.

Na província de Nazaré, Jesus começou seu ministério público na sinagoga (Mateus 13:54), a Bíblia relata que o povo ficou tão ofendido com os ensinamentos, que quase lançou-o de um precipício (Lucas 4:29). Duas vezes o expulsaram de suas fronteiras (Lucas 4:16-29; Mateus 13:54-58) até que, finalmente, se retirou do lugar onde não realizou obras de salvação devido a incredulidade dos nazarenos (Mateus 13:58) e foi morar em Cafarnaum.

Cafarnaum

Cafarnaum, “a cidade de Jesus”. 

Fonte: arquivo pessoal.

Cafarnaum origina-se do hebraico Kfar Nahum, que significa “Vila de Naum”. Foi uma vila pesqueira fundada pelo reino asmoneu, localizada na margem norte do Mar da Galileia.

A primeira referência a esta cidade, encontra-se no livro de João 2.12, após a transformação da água em vinho, em uma festa de casamento em Caná da Galileia, Jesus para lá se dirigiu com sua mãe, seus irmãos e seus discípulos.

Entrada de Caná da Galileia

Fonte: arquivo pessoal.

A cidade possuía uma alfândega e uma guarnição romana sugere que se tratava de uma região fronteiriça entre os estados de Filipe e Herodes Antipas (Mt 9.9). O centurião romano, ao construir uma sinagoga, obteve uma certa reputação entre o povo (Mt 8:5-13; Lucas 7:1-10)

Jesus realizou vários milagres em Cafarnaum:  o servo do centurião (Lc 7,1–10), a sogra de Pedro (Mc 1,21, 29–31), expulsou espíritos maus (Mc. 1,21–28, 32–34); o paralítico cuja maca foi baixada através do telhado (Mc. 2,1–12); levantou dos mortos a filha de Jairo (Mt. 9,18–19, 23–26; Mc. 5,22–24, 35–43) e curou o homem com a mão ressequida (Mt. 12,9–13)

Foi conhecida como “a sua cidade”, pelo fato de ter fixado residência por algum tempo (Mateus 9:1; cf. Marcos 2:1). Embora o impacto do seu ministério entre o povo tenha sido sigificativo, Cristo se afastou. Por isso, Cafarnaum, Betsaida e Corazim foram amaldiçoadas por Jesus, que predisse a completa destruição das três; atualmente, é visível apenas suas ruínas.

Fonte: arquivo pessoal.

Que não sejamos incrédulos como o povo de Cafarnaum, mesmo ouvindo as boas novas da salvação do próprio Jesus, não se abdicaram de seus pecados e, pela falta de fé, foram vistos em declínio até a cidade chegar a ser desabitada. Assim, ela é hoje um sítio arqueológico a céu aberto com grandes significados bíblicos.

Fonte: arquivo pessoal.

Ruínas com símbolos do que era o Israel bíblico. Há desenhos de frutas, flores e a estrela de Salomão — que se tornaria famoso como pentagrama na Idade Média e Renascimento.

Fonte: arquivo pessoal.

Ao caminhar pelo sítio arqueológico, mais precisamente no centro da pequena cidade, encontra-se as ruínas de uma sinagoga. Mas não é qualquer ruína e nem qualquer sinagoga: era ali que Jesus, aos sábados, ensinava ao povo.

Fonte: arquivo pessoal.

Foi construída no século IV. No entanto, se observarmos, há uma distinção nas pedras das construções, pois esta sinagoga foi construída na base da sinagoga do século I, em outras palavras, o local onde Jesus ensinava. Cada pedra nos faz recordar dos relatos bíblicos ocorridos ali.

Fazendo o mesmo caminho que Jesus, possivelmente, ao sair da sinagoga ia até a casa de Pedro, há o local onde aconteceu o milagre da cura da sogra do apóstolo (Lucas 4,38-39). Hoje, há uma igreja moderna que foi construída em 1990. Em escavações, foram encontrados artefatos que comprovaram que naquela casa morava um pescador; mesmo com as construções posteriores, acredita-se que a casa pertencia a Pedro, pois existem documentos com relatos de períodos distintos de pessoas que passaram pela cidade e visitaram o lugar que teria sido do discípulo.

Abaixo dessa igreja há as ruínas da possível casa de Pedro.

Fonte: arquivo pessoal.

Abaixo da igreja, há uma sobreposição de três edificações: no primeiro nível há uma casa feita de pedras basáltica e datada do tempo de Jesus; ali havia uma casa que depois foi transformada em uma igreja do lar, comum na época, e por cima desta foram edificadas duas igrejas.

Fonte: arquivo pessoal.
Fonte: arquivo pessoal.

É emocionante olhar para um lugar onde Jesus pode ter feito suas refeições e até mesmo dormido!

Tabgha: lugar da multiplicação dos pães e peixes

Fonte: https://maironpelomundo.com/2023/02/06/cafarnaum-rio-jordao-mar-galileia/.

Tabgha vem de Heptapegon, “sete nascentes” em grego, conhecida assim na antiguidade e Ein Sheva, como os hebreus a chamava. Como o alfabeto árabe não possui a letra “P”, usa-se “B”, daí o comprido nome Heptapegon ter virado Tabgha, quando se transformou em domínio muçulmano no século VII.

Quando os árabes chegaram, já havi a Igreja da Multiplicação do século V, com mosaicos bizantinos que perdura atualmente.

O interior neobizantino da Igreja da Multiplicação. A igreja foi destruída pelos persas no ano 614 e se perdeu, até suas ruínas serem encontradas no século XIX. Erigiu-se esta atual no século XX.

Fonte: arquivo pessoal.

De acordo com a tradição, é o local do milagre da multiplicação dos pães e peixes (Marcos 6 :30-46) e da terceira aparição de Jesus ressuscitado (João 21 :1-24) após a crucificação.

No meio do recinto, há uma pequena rocha. Ali Jesus teria ocorrido o milagre da multiplicação.

Fonte: arquivo pessoal.

Yardenit

Fonte: arquivo pessoal.

Yardenit, também conhecido como Sítio Batismal de Yardenit , é um lugar de batismo situado ao longo do Rio Jordão, frequentado por milhares de cristãos.

Fonte: arquivo pessoal.

Mas este não é o lugar onde Jesus tenha sido batizado. O local original se chama Qasr al-Yahud e está na fronteira entre a Jordânia, Cisjordânia e Israel. Durante muitos anos, ele era a principal referência para visitação e aos que desejava batizar nessas águas. Contudo, devido aos constantes conflitos internos, foi criado pelo Ministério de Turismo de Israel, esse centro para receber os visitantes desde 1981.

Fonte: arquivo pessoal.

É um lugar extremamente tranquilo, apesar dos transeuntes, nele é possível ouvir o “som” da natureza e os relatos bíblicos que perpassa na mente a todo momento. A água é bela, flores nativas lindas e o ar inspira a todo o momento a adorar a Deus.

Aliás, todos os lugares são lembretes de que a palavra de Deus é infinita e digna de confiança. Não é possível descrever cada sensação, cheiro, beleza, calmaria e a amoção quase palpável que invade a alma.

Se pudesse, descreveria o som das pequenas ondas do Mar da Galileia, que devido a uma tempestade, foi obrigada a se acalmar ao ouvir a ordem do Mestre; descreveria a sensação de estar em Nazaré, pequena e simples, mas um dia Deus ordenou que um anjo decesse ao vilarejo para comunicar a uma jovem que ela carregaria o Messias; é inigualável comtemplar o cumprimento de uma das profecias de Jesus proferidas a uma das cidades que o rejeitou sem pestanejar; estar no lugar em que Cristo multiplicou pães e peixes é pregar para si mesmo para que não nos preocupemos com o amanhã.

Amo-te, Jesus.



Notas

[1] Os asmoneus, eram os membros da dinastia governante durante o Reino Asmoneu de Israel (140 – 37 a.C.),[3] um Estado judaico religioso independente situado na Terra de Israel. A dinastia dos asmoneus foi fundada sob a liderança de Simão Macabeu, duas décadas depois de seu irmão, Judas Macabeu (“Martelo”) derrotar o exército selêucida durante a Revolta Macabeia, em 165 a.C.

[2] foram integrantes de um exército rebelde judeu que assumiu o controle de partes da Terra de Israel, até então um estado-cliente do Império Selêucida. Os macabeus fundaram a dinastia dos hasmoneus, que governou de 164 a 37 a.C., reimpuseram a religião judaica, expandiram as fronteiras de Israel e reduziram no país a influência da cultura helenística. Seu membro mais conhecido foi Judas Macabeu, assim apelidado devido à sua força e determinação.

[3] O Império Selêucida foi um Estado helenista que existiu após a morte de Alexandre, o Grande da Macedónia, cujos generais entraram em conflito pela divisão de seu império. Entre 323 e 64 a.C. existiram mais de 30 reis da dinastia selêucida.


Referências

ZILES, Urbano. Evangelhos apócrifos, tradução e introdução. Coleção Teologia 17. 3.ed. Porto Alegre: EdiPUCRS, 2004.

O CURTO e último periodo de Israel soberano (140 – 63O AC). Israel Descomplicado. 2023. Disponível em: https://israeldescomplicado.com/category/noticias. Acesso em 10 de abr. 2025.

OS MACABEUS – quem eram? (Part.1). Biblioteca Bíblica. 2016. Disponível em: https://bibliotecabiblica.blogspot.com/2009/05/macabeus-quem-eram-part-1.html. Acesso 10 de abr. 2025.

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