Você é capaz de ver Deus na sua rotina?
Se Cristo passou um tempo em obscuridade, então há uma dignidade infinita na obscuridade. Se Cristo gastou a maior parte de sua vida de forma cotidiana, então a vida toda está sob o seu senhorio.
(P. 34)
As palavras “ordinário” e “extraordinário” possuem as mesmas características, são substantivos e adjetivos, mas não tem o mesmo significado: “ordinário” é o que está dentro de uma normalidade, é o normal, comum, que acontece de forma frequente; o “extraordinário” é o fora do comum, admirável, acontecimento de fora do previsto ou inesperado.
A maioria das pessoas vivem o seu ordinário sem refletir o quão extraordinário é. A nossa identidade e a maior parte de nossas vidas acontecem no dia a dia, no dia chamado de comum.
Temos a tendencia de querer uma vida cristã sem as partes chatas (P. 33).
Tish H. Warren[1] aponta, em Liturgia do Ordinário (Thomas Nelson Brasil, 2021) que a nossa vida secular não precisa ser separada da vida espiritual. A maioria dos cristãos tem a tendência de pensar que não é possível encontrar Deus nas rotinas acadêmicas e laborais que por vezes nos desgastam de forma maçante.
A autora utiliza as 220 páginas para que desenvolvamos uma rotina litúrgica quando vamos dormir e ao acordar.
O meu eu nu é um eu batizado (P .31).
Liturgia do Ordinário possui uma narrativa proposital que se realiza a cada capítulo: Acordando; Arrumando a Cama; Escovar os Dentes; Perdendo Chaves; Comendo Sobras; Brigando com Meu Marido; Checando E-mails; Sentado no Trânsito; Chamando uma Amiga; Beber Chá e Dormindo. Com estes exemplos rotineiros, Warren chama a atenção dos leitores para uma liturgia diária com o Senhor mesmo na simplicidade de um dia comum.
Como podemos observar, os capítulos dialogam entre si e suas seções são distribuídas propositadamente. A autora organizou o livro como se fosse o desenrolar de um dia ordinário, ou seja, um dia trivial para a maioria das pessoas.
Como cristãos, acordamos a cada manhã como batizados. Somos unidos a Cristo e a aprovação do Pai é declarada sobre nós. Somos marcados desde o nosso primeiro momento da manhã por uma identidade que nos foi dada pela graça: uma identidade que é mais profunda e mais real do que qualquer outra identidade que vestiremos nesse dia.
(P. 30)
Warren ressalta que os hábitos que praticamos diariamente, como um simples arrumar a cama, moldam quem somos. Somos constantemente afeiçoados por nossos rituais, sejam eles seculares ou ligados à fé. A intenção de cada rotina pode ser voltada para a glória de Deus: “Assim, quer vocês comam, quer bebam, quer façam qualquer outra coisa, façam tudo para a glória de Deus” (1Coríntios 10:31).
O que mais me perturbava sobre arrumar a cama, o fato de que isso precisava ser feito de novo e de novo, reflete o próprio ritmo da fé. Os nossos corações e os nossos amores são moldados pelo que fazemos de novo e de novo e de novo. No domingo, no culto solene, aprendemos juntos a passar pela repetição e pelo imprevisível. Aprendemos os ritmos repetitivos e lentos de uma vida de fé.
(P. 49)
O propósito da autora discorre sobre o impacto que o nosso dia a dia pode trazer para a comunhão com o Senhor, no qual no final de cada capítulo, o leitor recebe auxílio para refletir nas formas como a sua vida se encaixa dentro da temática, além de receber orientações para a ação.
Warren não se detém apenas em teorias: ela traz a prática, ilustrações e a sua própria vida como exemplo; indaga o leitor e o conduz a exercícios e a ter suas próprias experiências.
Tish H. Warren, através de sua escrita singela, descritiva, criativa e cativante, agrega maravilhosamente à literatura cristã sobre espiritualidade. Aos leitores que desejam se comprometer com a leitura, devem se dedicar a este livro edificante com afinco e refletir sobre cada questão proposta pela autora.
[1] Tish Harrison Warren é uma autora americana e anglicana. Ela é conhecida pelos livros premiados “Liturgia do Ordinário” (2016) e “Oração da Noite” (2021), além de ser colunista do boletim informativo do New York Times.
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