INDICAÇÃO DE LEITURA: ELISABETH ELLIOT – MOLDADA POR DEUS – ELLEN VAUGHN

São tempos difíceis. O evangelho, para muitos, transformou-se em motivo de chacota, a maioria dos discursos proferidos nas igrejas são fracos, fazem uso de doutrinas antibíblicas e rasas como a mente de muitos cristãos o são. A palavra “sofrimento”, para eles, é algo inadmissível entre o povo de Deus, pois “Jesus morreu para que vivêssemos em abundância”.

A maioria das livrarias cristãs estão abarrotadas de literaturas imediatistas, superficiais e de coachings evangélicos ávidos para preencher mentes que anseiam conquistar o sucesso em todos os âmbitos de suas vidas.

O livro biográfico de Elisabeth Elliot, Moldada por Deus, escrito maravilhosamente por Ellen Vaughn,[1] chegou em um cenário propício, Pois, para os cristãos que não se contentam com um evangelho propagado de forma mesquinha, encontram na vida de Elisabeth e Jim Elliot exemplos vívidos de luta contra o pecado, de obediência, de erros e acertos, assim como Paulo, que não considerava suas vidas preciosas se não morresse por Cristo.

O primeiro volume do livro nos apresenta uma Elisabeth Elliot, através de seus muitos diários, como uma mulher que talvez a maioria de seus leitores não conheça: missionária, exímia linguista, escritora (seu maior prazer, na verdade, era cuidar do lar), poliglota, articulada, intelectual, imponente, severa, disciplinada, divertida, irônica, exigente, tímida, introspectiva, obediente, curiosa, crítica, destemida e muito racional.

Com tais características, produziu grandes feitos: aprendeu grego; viveu em três tribos indígenas na floresta amazônica, no Equador (Quíchua, Colorado e Waorani); enquanto viveu entre eles, aprendeu o idioma espanhol para que, a partir dele, aprendesse os dialetos das tribos; após aprender os idiomas, produziu materiais de tradução que serviu como base para traduzir o Novo Testamento nos idiomas tribais; morou em cabanas e cozinhava em fogão à lenha; alimentava-se de comidas exóticas na floresta como carne de macaco, larvas, diferentes pássaros etc.; amava leituras teológicas e de romancistas em voga da época;  guardava dentro de si emoções selvagens, mas sabia se conter; realizava partos; aplicava penicilina; adorava trilhas; após a morte do seu primeiro marido, decidiu viver entre os índios que o assassinou, os Waorani, para que conhecessem a Jesus e desconhecessem, por completo, as lanças como armas para homicídio.

Diante do exposto, inacreditavelmente, encontra-se registrado em seu diário: “Ai de mim, eu sou ridícula. Deus, me ajude!”.

Elisabeth Elliot nasceu em um lar cristão (nascida Howard; 21 de dezembro de 1926 – 15 de junho de 2015) quando seus pais eram missionários na Bélgica. Entretanto, após o seu nascimento, se mudaram para os Estados Unidos, onde cresceu.

O pai de Beth (como os amigos a chamavam), Philip Howard, trabalhava como editor associado em um periódico semanal não-denominacional conhecido em todo o mundo. Devido a esse fato, missionários que visitavam os EUA costumavam jantar na casa da família Howard, assim, ela conheceu cristãos que a influenciou permanentemente, levando-a pensar na possibilidade dela mesma como uma missionária.

Uma dessas pessoas que a fascinou, foi a Betty Scott[2]. A história dessa corajosa mulher a arrebatou tanto, que a então adolescente Beth Elliot copiou uma radical oração que Scott havia feito quando estava estudando para ser missionária; uma oração que o pai da mártir compartilhou com os Howards. Ela copiou e escreveu em sua Bíblia:

Essa oração ficou gravada no coração de Betth para sempre.

Uma das características de Elliot que a autora destaca com frequência, é a obediência. Como todos nós, possuía sentimentos profundos e desejos indizíveis, no entanto, não admitia ser dominada por nenhum deles, pois para ela eram requisitos indispensáveis; sentimentos em demasiado não faziam parte dos planos traçados na jornada que percorreria.

A “frieza” de Betty foi percebida por seus mentores, colegas da faculdade e no campo missionário. Consequentemente, algumas pessoas a enxergavam como alguém fria, santarrona, arrogante e indiferente. Ela lamentava em seu diário:

Elisabeth não demonstrava os sentimentos, mas os escondia. Ela amava profundamente as pessoas e as admirava; ansiava por amizades e diálogos que durassem horas, seja para discutir amenidades ou debates calorosos sobre livros, teologia ou assuntos que despertassem o seu interesse e curiosidade. Se suas emoções corriam sem tréguas pelos caminhos rochosos, porém controlados, por outro lado, possuía um amor profundo e totalmente sem reservas.

A obediência tão estimada por ela lhe rendeu frutos: chegou ao tão sonhado campo missionário e enfrentou dificuldades inimagináveis de cabeça erguida, antes, durante e após o martírio de seu marido Jim. O amor profundo que sentia pelo próximo levou essa mulher, juntamente com sua filhinha de apenas cinco anos de idade, a ir morar com a assassina tribo Waorani, a mesma que matou o seu amado.

“Se um dever é claro, os perigos que o cercam são irrelevantes.”

– Elisabeth Elliot

– UMA CRIANÇA ENTRE OS ALGOZES DE SEU PAI: MISSIONÁRIAS VIVEM COM WAORANI

– Manchete da revista Life, 24 de novembro de 1958 P.279

O livro também escancara um tema talvez desconhecido pela maioria dos cristãos: a disputa por territórios para evangelização. Nessa contenda, quem tem mais sede de poder, empreender e de reconhecimento, vence (ou não). No caso em questão, após a morte dos missionários, entre eles o marido de Betty, a tribo Waorani se tornou um prêmio para quem lograsse um contato amigável e adentrasse o território indígena.

O mundo estava de olho naquela tribo e as tensões entre vários grupos missionários aumentavam com a possibilidade de evangelizá-los “…como um sinal de Deus de que essa tribo poderia ser uma potencialmente poderosa ferramenta de relações públicas a favor da causa da tradução bíblica.” P.241

Isso tudo enojava profundamente a nossa missionária. Deus, atendendo às orações proferidas desde a sua mocidade, de alcançar os povos inalcançados, concedeu à duas mulheres, a ela e a irmã de uma das vítimas, o privilégio de realizar o que os cinco homens, que com a graciosa permissão do Senhor, não puderam.

Vaughn nos mostra uma mulher repleta de incertezas, principalmente ao que concerne sobre qual seria a vontade de Deus para a sua vida. Nos mostra como se comportou diante da ignorância e avidez individualista de sua companheira de missões junto a tribo Waorani, o que não permitiu que o seu trabalho de aprendizagem e tradução do dialeto local progredisse como gostaria, o que acabou por afetar a tradução bíblica para o idioma da tribo em alguns anos.

É notório que Ellen Vaughn escreveu com paixão, dedicação inquestionável e um profundo respeito por Elisabeth Elliot. A autora esclarece que contar a história dessa notável mulher é importante para que a nova geração possa conhecer e seguir o seu exemplo, pois homens e mulheres cristãos dignos de notas estão escassos. Não que ela seja perfeita, jamais. Mas estava disposta viver e morrer por Cristo custasse o que custasse; Deus não permitiu que ela morresse pela causa da cruz, mas ela entregou a sua vida apaixonadamente por Jesus, do qual ele permitiu que se casasse com um mártir.

A leitura simplesmente flui e podemos enxergar a pequenez e a grandeza de Betty ao mesmo tempo.

O livro é o volume I do box elaborado caprichosamente pela editora Fiel. Detalha a trajetória de Elliot, com fotos inéditas, nos primeiros anos como missionária, mostrando como sua fé foi testada e fortalecida ao longo do tempo.

As capas são delicadas e sugestivas: no volume I contém uma ilustração de botões de rosas, nas laterais do livro, prestes a desabrochar. Pois assim como esses botões, a missionária Elisabeth Eliot estava sendo forjada e preparada para o que viria a seguir até desabrochar por completo no jardim de Deus.

Como ela desabrochou e enfrentou a vida ao retornar para os EUA, descobriremos no II volume (em breve).


[1] ELLEN VAUGHN é autora e palestrante best-seller do New York Times, tendo dezenas de livros publicados. Com diplomas da Georgetown University e da University of Richmond, Ellen colaborou com o falecido Chuck Colson, ex-conselheiro da Casa Branca, em várias de suas obras seminais. Ex-vice-presidente de comunicações executivas da Prison Fellowship, maior organização cristă do mundo para presos, ela viaja frequentemente para entrevistar seguidores de Cristo em diversas partes hostis do mundo. Ellen gosta de ler, fazer caminhadas, beber café e olhar pensativamente para o oceano.

[2] Juntamente com o marido John Cornelius Stam (18 de janeiro de 1907 – 8 de dezembro de 1934), Elisabeth Alden “Betty” Stam (nascida Scott; 22 de fevereiro de 1906 – 8 de dezembro de 1934) foram missionários cristãos americanos na China, com a China Inland Mission (CIM), durante a Guerra Civil Chinesa. O casal de missionários foi executado por soldados chineses comunistas em 1934.


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Uma resposta para “INDICAÇÃO DE LEITURA: ELISABETH ELLIOT – MOLDADA POR DEUS – ELLEN VAUGHN”.

  1. Avatar de INDICAÇÃO DE LEITURA: ELISABETH ELLIOT, USADA POR DEUS, VOLUME II – ELLEN VAUGHN – ELLA CRISTÃ

    […] no volume I, Moldada por Deus, a biógrafa é abertamente clara quanto aos erros de Elliot, não esperem que ela mude de ideia no […]

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